Estratégias de liderança televisiva: To be continued

Por a 14 de Fevereiro de 2020

Patrícia Oliveira_IPAMA guerra pelas audiências continua entre os dois grandes canais SIC e TVI. Nos últimos tempos assistimos a alterações na grelha da SIC, que vieram alterar o cenário de liderança da TVI, que em tido um domínio absoluto desde há muito tempo. Nomeadamente com o início do Programa da Cristina, e com a mais recente contratação de Ricardo Araújo Pereira que prevê poder alcançar um conjunto mais alargado de públicos-alvo.

Perante este cenário, e numa tentativa de reconquistar novamente a liderança, a TVI agora contrata Cláudio Ramos, para apresentar a nova edição do Big Brother, depois de uma aparente recusa por parte de Manuel Luís Gocha.

Existe uma clara aposta por parte das estações televisivas em capitalizar em apresentadores com um grande número de seguidores. O consumidor/público actual é por natureza um seguidor, demonstrando até sinais de lealdade a quem seguem, sendo que estão mais disponíveis para seguir pessoas do que marcas, não sendo tão importante a marca que representam.

A comunicação blended está a dominar os tempos de hoje, ou seja, a ligação ou cruzamento entre o digital e o offline impera em questões de conteúdo produzido e de quem os produz. As celebridades com uma carreira em televisão estão hoje online, indo ao encontro dos novos hábitos dos consumidores/público. O mesmo conceito se verifica nos influenciadores que nasceram online e que estão hoje a ganhar espaço em determinados programas de televisão. Não só verificamos este comportamento com a SIC e TVI mas também com a RTP1, a qual também foca conteúdo online dentro dos seus programas, basta analisarmos grande parte dos convidados do 5 Para a Meia Noite e o mais recente programa o Novo Mundo digital.

O marketing de conteúdo é um paradigma do marketing contemporâneo com muitos benefícios a longo prazo, tais como fidelização da marca, maior envolvimento com o público-alvo através de conteúdo relevante e maior grau de confiança.

Esta guerra pelas audiências entre a SIC e TVI tem por base a criação de conteúdos e formatos inovadores que vão ao encontro dos novos hábitos dos consumidores, que estão conectados 24/7.

Algumas estatísticas indicam-nos a importância desta comunicação blended. Para os seus 10 milhões de habitantes, Portugal tem cerca de 15,8 milhões de subscrições mobile. Cerca de 8 milhões de pessoas usam a internet; 6,7 milhões têm redes sociais e, dessas, 6 milhões usam-nas através de um dispositivo móvel.

Apesar de ainda ser líder, com 96% da população portuguesa a utilizar a televisão, os dispositivos moveis estão praticamente colados com 94% de utilização. No que se refere ao consumo televisivo, Fevereiro 2020 iniciou com o consumo abaixo das 5 horas/dia, enquanto que a média diária de tempo passado na internet é de 6h38m. Portanto, e noutro patamar, também estamos a assistir a uma outra guerra, a guerra pela atenção dos consumidores/público, em concreto entre a televisão e o online. Sendo que a televisão está, talvez até num instinto de sobrevivência, a fundir-se com conceitos ganhadores e protagonistas do online, capitalizando nas figuras televisivas capazes de motivar os maiores números de seguidores, tanto no online como apenas na televisão.

É difícil medir ainda com exatidão qual será o impacto de todas estas mudanças, contudo podemos constatar que existe um esforço por parte das estações televisas em acompanhar as tais mudanças. E a guerra vai continuar…

Artigo de opinião de Patrícia Oliveira, docente do IPAM

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