“A Volkswagen não venderá só a viatura, o hardware, mas também o software”

Por a 8 de Janeiro de 2020

Nuno SerraHá dois anos que Nuno Serra ocupa a direcção de marketing da Volkswagen. Licenciado em Engenharia Mecânica e com um MBA, iniciou o seu percurso no sector automóvel em 2000, na direcção de vendas da Volkswagen. A marca está agora num momento de viragem.

Meios & Publicidade (M&P): Quando é que soube que a Volkswagen ia ter uma mudança de identidade tão significativa?
Nuno Serra (NS): A mudança de identidade da marca é centralizada. Estamos a falar de uma das maiores alterações de imagem a nível mundial. São mais de 100 mil postos no mundo que vão ser alvo desta transformação. É parte de uma estratégia da marca virada para a mobilidade individual e para as emissões zero. A marca pretende ter em 2050 um balanço neutro no que diz respeito às emissões de CO2, com investimentos fortes nessa matéria. Há também uma vertente de digitalização que a marca vai assumir no futuro. A Volkswagen não venderá só a viatura, o hardware, mas também o software.

M&P: Que mudanças ao nível da comunicação é que implica a nova imagem e identidade?
NS: A pressão na comunicação ainda não está muito forte. Estamos a falar de um rebranding que aconteceu a 1 de Outubro. Todas as peças de comunicação já são adaptadas à nova imagem. O que quer dizer? É uma linguagem diferente, uma comunicação mais colorida, mais vibrante. O produto não é a estrela da comunicação, mas sim as pessoas. Queremos que o digital seja a primeira forma de contacto com o consumidor. A marca perdeu o logo a 3D e agora é 2D. Voltou ao passado mas com visão no futuro, sendo 2D é mais flexível e respira melhor. Não está formatado a uma só tonalidade. Temos uma panóplia de tonalidades com que podemos comunicar. Por exemplo, o GTI terá um logo a vermelho, quando estamos a falar de eléctrico, provavelmente, terá o logo mais azul. Queremos que a imagem seja flexível e adaptada a todos os formatos.

VolkswagenM&P: A Volkswagen também adoptou uma assinatura sonora.
NS: A nível sonoro houve duas alterações: a voz que fala com o cliente passou de masculina a feminina e o logo é também sonoro. Há um bater do coração que ressalva esta proximidade com as pessoas.

M&P: Os números da ACAP dizem que as vendas caíram em 2018 24,7 por cento. Aliás, no top 15 de marcas não houve uma marca a cair tanto. Porque é que isto aconteceu?
NS: Não tem que ver com a marca mas com algo que é conhecido, que é a transformação do negócio das marcas do grupo Volkswagen em Portugal, que passou de um grupo privado para a Porsche Holding. É por uma questão empresarial e não por uma questão de marca. Nesse período a nossa carteira de encomendas bateu recordes, o que reflecte isto que estou a dizer. Não havia era a capacidade com que gostaríamos todos de operar. Estávamos numa situação de transição.

M&P: Os novos donos dão agora uma nova segurança?
NS: As coisas restabeleceram agora o seu normal caminho e as marcas ocuparão o seu normal lugar no mercado. A Volkswagen em Portugal sempre teve um lugar de relevância no top 10, a nível europeu estamos a falar de uma marca líder.

M&P: A SIVA agrupa várias marcas. Existe algum tipo de sinergias ao nível da comunicação e marketing?
NS: Todas as marcas têm todas uma estratégia de comunicação independente a todos os níveis: meios, criatividade, estratégia. São unidades de negócio totalmente independentes.

Leia aqui a entrevista completa

Deixe aqui o seu comentário