Ricardo Araújo Pereira e a transformação digital da SIC

Por a 6 de Janeiro de 2020

Pedro Mendes (1)O impacto da mudança de Ricardo Araújo Pereira para a SIC é nesta altura difícil de medir com exactidão. Contudo há indicadores de análise que nos podem ajudar a perceber melhor o fenómeno associado a este acontecimento mediático do início do ano de 2020.

As comparações com o processo de mudança de Cristina Ferreira – que deixou também a TVI para abraçar novos projectos na SIC – são muitas, contudo o impacto e a influência de Ricardo Araújo Pereira num conjunto mais alargado de targets deverá poderá ter um alcance com dimensões que ultrapassam as simples audiências televisivas.

Estando na TVI desde 2014, Ricardo Araújo Pereira conseguiu registos impressionantes de audiências com vários programas, destacando-se as referências “Gente que não sabe Estar” e “Governo Sombra”. No âmbito dos negócios associados com a televisão, a dimensão digital ganha cada vez mais relevo e neste sentido não podemos deixar de referir alguns dados importantes sobre o número de seguidores de Ricardo Araújo Pereira e dos Programas a ele associados.

Analisando o universo digital e em específico a rede social Facebook, verificamos que a página Ricardo Araújo Pereira “Oficioso” tem 42.000 seguidores e que a página do Programa “Governo Sombra” tem 31.000 seguidores. A este nível não podemos também deixar de considerar o “activo” de 93.000 seguidores que Ricardo Araújo Pereira deixa na TVI através do Programa “Gente que Não Sabe Estar”.

É precisamente na dimensão digital que poderá estar o segredo desta mudança, das características de Ricardo Araújo Pereira e dos conteúdos por ele produzidos através de conceitos que facilmente encontrarão correspondência em tipologias de audiência constituídas por nativos e utilizadores digitais.

A SIC poderá ter levantado um pouco a “ponta do véu” no seu comunicado, indicando que a contratação de Ricardo Araújo Pereira terá enquadramento na sua estratégia de desenvolvimento criativo de conteúdos inovadores e com potencial para atingirem diferentes públicos nas diversas plataformas disponíveis, desde o canal generalista, aos temáticos e à área digital.

Considerando que a SIC terminou o ano de 2019 na liderança das audiências de televisão em Portugal com 19,2% de share, é provável que a contratação de Ricardo Araújo Pereira permita consolidar ainda mais a sua posição de líder. O grande desafio será perceber o alcance global desta mudança, nomeadamente ao nível da difusão e propagação digital.

Artigo de opinião de Pedro Mendes, director do IPAM Lisboa

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