APCT: Generalistas continuam a perder circulação impressa paga

Por a 2 de Janeiro de 2020

JornaisA erosão da circulação impressa paga continua a não dar tréguas aos títulos de informação geral. No período entre Janeiro e Outubro de 2019, nenhum dos jornais generalistas e newsmagazines escapou às quebras já que todos venderam menos exemplares em comparação com o período homólogo no ano anterior. Correio da Manhã, Jornal de Notícias e Público, os três diários generalistas cujos números são auditados pela APCT, venderam no seu conjunto, em média, menos 11.028 exemplares por edição nos primeiros 10 meses de 2019 comparativamente ao mesmo período em 2018. Números que representam uma quebra de aproximadamente 7,8% na circulação impressa paga dos generalistas com periodicidade diária.

A liderança continua a pertencer ao Correio da Manhã, que se mantém destacado da concorrência no que diz respeito à circulação impressa paga, com uma média de 73.787 exemplares vendidos por edição entre os meses de Janeiro e Outubro de 2019. Números que traduzem, contudo, uma quebra de 9,3% relativamente ao período homólogo em 2018, altura em que o diário detido pelo grupo Cofina Media alcançava uma média de circulação impressa paga ainda acima da fasquia dos 80 mil exemplares (81.320). O Jornal de Notícias, que mantém igualmente a segunda posição, encontra-se agora abaixo da fasquia dos 40 mil exemplares ao chegar ao final dos primeiros 10 meses de 2019 com uma média de 39.600 exemplares vendidos por edição, uma descida de 7,5% comparativamente com os 42.810 exemplares registados em igual período de 2018 pelo título do Global Media Group. O Público, terceiro diário mais vendido, é aquele que melhor está a resistir à tendência de erosão, apresentando uma circulação impressa paga de 17.434 exemplares, ainda assim uma diminuição de 1,6%.

Alargando a análise aos títulos com periodicidade semanal, o cenário não é mais animador. O Expresso, líder do segmento, regista uma diminuição de 7% e está agora abaixo do patamar dos 60 mil exemplares, ao passar dos 61.583 exemplares vendidos, em média, por cada edição publicada nos primeiros 10 meses de 2018, para os 57.270 exemplares vendidos por edição em igual período de 2019. O Diário de Notícias é, uma vez mais, o título mais castigado. Feita a ressalva de que o título do Global Media Group passou a chegar às bancas uma vez por semana apenas a partir de Julho de 2018, o jornal regista agora uma circulação impressa paga, que diz respeito a uma média de exemplares vendidos por edição, de 5.531 exemplares entre Janeiro e Outubro de 2019, números que representam uma queda na ordem dos 34,4% já que comparam com os 8.430 exemplares vendidos por edição no período homólogo em 2018.

O Público mantém a tendência positiva registada no último relatório da APCT (relativo ao período de Janeiro a Agosto) ao ser, uma vez mais, o único jornal generalista a apresentar crescimento ao nível das vendas em banca (+5%). Já os restantes jornais generalistas registam igualmente uma perda de expressão em banca, com quebras no Correio da Manhã (-9%), Jornal de Notícias (-10%), Expresso (-7%) e Diário de Notícias (-39%). Há ainda a registar, como indicadores positivos ao nível da circulação impressa, o crescimento das assinaturas em papel nos casos do Correio da Manhã (+2%) e do Jornal de Notícias (+7%).

A tendência descendente estende-se também ao segmento das newsmagazines. A Sábado é agora a líder do segmento, com uma média de circulação impressa paga de 38.665 exemplares, uma ligeira diminuição (-0,15%) face aos 38.722 exemplares vendidos pela revista da Cofina nos primeiros 10 meses de 2018. Com 36.247 exemplares vendidos entre Janeiro e Outubro deste ano, a Visão perde a liderança que detinha no período homólogo em 2018, altura em que a revista editada pela Trust in News vendia, em média, 41.006 exemplares por edição, uma quebra de 11,6%.

Só um título consegue compensar quebras no papel com crescimento no digital

O crescimento da circulação digital paga, que no caso dos jornais generalistas só não acontece nos títulos do Global Media Group, continua também a revelar-se, na grande maioria dos casos, insuficiente para compensar as quebras na circulação impressa. O Público mantém-se como o único jornal generalista a apresentar um saldo positivo com o crescimento de 21,34% na circulação digital paga, que passou de 12.270 no período entre Janeiro a Outubro de 2018 para 14.888 nos primeiros 10 meses de 2019, a superar a quebra de 1,6% na circulação impressa paga. O saldo final é uma circulação total paga de 32.322, o que traduz um crescimento de 7,8% relativamente aos 29.989 que o diário da Sonaecom registava no período homólogo em 2018.

A liderança continua nas mãos do Expresso já que o título detido pela Impresa chega ao final dos primeiros 10 meses de 2019 com uma circulação digital paga de 27.068, um crescimento de 8,8% relativamente aos números registados em igual período de 2018. Apesar deste crescimento, o saldo é negativo já que a circulação total paga registada pelo semanário da Impresa entre os meses de Janeiro e Outubro de 2019 se situou nos 84.338, uma descida de 2,45% face aos 86.454 que apresentava no período homólogo no ano anterior. Também com resultados positivos no digital está o Correio da Manhã, embora com uma base menos expressiva: 1.580 (+13,4%), mas o título da Cofina encerra também os 10 primeiros meses de 2019 com saldo negativo (-8,9% na circulação total paga). Jornal de Notícias e Diário de Notícias registam quebras também no digital, ao descerem, respectivamente, para 5.145 (-5,07%) e 1.616 (-50,6%). Na circulação total paga, os dois títulos do Global Media Group descem 7,2% e 38,9%.

Deixe aqui o seu comentário