Quase dois terços do activo das maiores empresas de media financiados por capitais alheios

Por a 5 de Dezembro de 2019

MediaA proporção de capitais próprios em relação aos activos das empresas detentoras de órgãos de comunicação social continuou, em 2018, abaixo dos 50% na grande maioria das empresas, situação que se agrava no caso das maiores empresas do sector dos media. “Esta evidência é mais flagrante quando se autonomiza do todo o grupo das maiores empresas do sector, em que a proporção de capitais próprios no activo foi, em média, 39%, o que significa que 61% do activo foi financiado com capitais alheios”, conclui um relatório da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), que traça um retrato económico-financeiro do setcor de media português em 2018. A análise revela ainda que, em termos de rentabilidade dos capitais próprios, “a média do grupo de empresas maiores situou-se em torno de 12%”.

O retrato do sector dos media em Portugal traçado pelo organismo regulador, divulgado esta semana, mostra ainda que menos de metade (42%) das empresas proprietárias de órgãos de comunicação social registados na ERC alcançou em 2018 um crescimento das receitas de exploração, tendo sido as empresas de rádio e publicações aquelas que “mais contribuíram para baixar este resultado”. Ainda assim, quando analisado apenas o grupo composto pelas maiores empresas do sector, “verifica-se que, em média, as receitas cresceram 6,9% e que 62% das empresas incluídas neste grupo reportaram crescimento”. Conclui-se ainda que “cerca de 69% das empresas proprietárias de órgãos de comunicação social apresentaram resultados líquidos positivos e 74% delas apresentaram resultados operacionais ou EBITDA também positivos”.

Ainda segundo o relatório da ERC, constata-se que 37% dos proprietários de órgãos de comunicação social têm como principal actividade económica outra que não a de comunicação social e que as empresas do sector são, na generalidade, de pequena dimensão. “Quando se observa a dimensão do activo verifica-se que 51% das entidades que reportaram indicadores financeiros relativos à actividade de comunicação social apresentou um activo inferior a 100 mil euros”, refere o relatório.

No final do ano de 2018 contabilizavam-se no mercado nacional 1.770 publicações periódicas, 267 empresas jornalísticas, 293 operadores de radiodifusão, 87 serviços de programas distribuídos exclusivamente pela internet, 25 operadores televisivos, nove operadores de distribuição de televisão (STVS) e uma empresa noticiosa.

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