Jornalistas da RTP contra Flor Pedroso e Cândida Pinto

Por a 17 de Dezembro de 2019

candida pintoContinua a troca de argumentos entre a antiga direcção de informação da RTP e os jornalistas da estação pública. Depois de Maria Flor Pedroso ter apontado as “insinuações, mentiras e calúnias” como argumentos para apresentar a demissão do cargo, os jornalistas de televisão da RTP, reunidos em plenário esta segunda-feira, teceram várias críticas à direcção de informação.

Em comunicado a que o M&P teve acesso, os jornalistas da estação pública lamentam “a violação de deveres deontológicos dos jornalistas e da lealdade para com a redacção da RTP-TV por parte da directora de informação demissionária, Maria Flor Pedroso, no decorrer da investigação do chamado Caso ISCEM”. O mesmo comunicado refere ainda a quebra de confiança com Cândida Pinto já que os jornalistas apontam para a “falta de explicações por parte da directora-adjunta Cândida Pinto – ausente deste plenário de jornalistas – a quem é imputada conivência com a directora de informação no decorrer da investigação do chamado Caso ISCEM – de acordo com a interpretação das actas do conselho de redacção”.

O Conselho de Redacção da RTP tinha convocado para esta segunda-feira um plenário de jornalistas sobre o conflito entre a equipa do Sexta às 9, coordenado pela jornalista Sandra Felgueiras, e a directora de informação da televisão pública, Maria Flor Pedroso. A demissão ocorreu antes do plenário.

No centro da polémica estava um relato feito pela coordenadora do Sexta às 9, Sandra Felgueiras, numa reunião com o Conselho de Redacção a propósito da reportagem sobre o lítio, em que adiantou que o Sexta às 9 estava a investigar suspeitas de corrupção no âmbito do processo de encerramento do Instituto Superior de Comunicação Empresarial (ISCEM), que passava pelo alegado recebimento indevido de “dinheiro vivo”.  Segundo relatou a Lusa, Sandra Felgueiras acusou Maria Flor Pedroso de ter transmitido informação privilegiada à visada na reportagem [directora do ISCEM, Regina Moreira], algo que a directora de informação da RTP “rejeitou liminarmente”, de acordo com as actas do Conselho de Redacção.

Maria Flor Pedroso garantia, segundo esse relato, que “nada foi falado sobre o contrato de compra e venda do imóvel ou outros dados da investigação. A directora de informação limitou-se a defender os interesses da RTP ao tentar contrariar a recusa de uma entrevista”.  A então directora de informação terá aconselhado Regina Moreira para responder ao programa Sexta às 9 por escrito.

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