Dívida do grupo Global Media ao BCP e Novo Banco em “valores marginais”

Por a 27 de Dezembro de 2019
Proença de Carvalho (Global Media)

Proença de Carvalho (Global Media)

A dívida do grupo Global Media ao Millennium BCP e ao Novo Banco reduziu-se para “valores marginais”. A informação consta numa carta enviada pela administração do grupo aos trabalhadores no dia 23 de Dezembro.“Reduzimos a nossa dívida bancária de forma consistente, desde 2014 até 2018, através da venda de activos. No ano de 2019, demos um novo passo estruturante na sustentabilidade financeira do nosso grupo, tendo os accionistas adquirido as dívidas e participações detidas pelos bancos Millennium BCP e Novo Banco, reduzindo-se, assim, a dívida bancária, para valores marginais”, pode ler-se na missiva, a que o M&P teve acesso.

Em Outubro o M&P avançou que estava em curso a mudança de estrutura accionista da Global Media, com a alienação da participação do Millennium BCP no grupo aos accionistas José Pedro Soeiro e grupo macaense KNJ, do empresário Kevin Ho. Seguia-se a mesma operação com o Novo Banco. Cada banco detinha 10,5 por cento da Global Media. Agora, a administração do grupo confirma que também houve, em simultâneo, uma negociação de dívida com os bancos. De acordo com o Eco, esta operação de compra da dívida aos bancos por parte de José Pedro Soeiro e da KNJ terá sido concretizada com um desconto entre 80 e 85 por cento.

Na mesma carta enviada aos trabalhadores, a administração sublinha que é necessário terminar o processo de reestruturação. “Essa diminuição permitiu também desonerar os activos em garantia aos bancos. Teremos, ainda, que completar um ciclo de reestruturação organizacional, para conseguirmos reequilibrar as contas anuais, dando um novo impulso à nossa actividade. Estamos a procurar reunir os recursos necessários para concluir este processo”, refere a mesma carta.

Recorde-se que a Global Media encontrava-se em vias de concluir a venda da Naveprinter, gráfica que detém a 100 por cento e onde imprime o Jornal de Notícias e o O Jogo, num negócio que pode ascender a 10 milhões de euros. Como tinha avançado o M&P, após este negócio estarão reunidas as condições financeiras para a empresa avançar com a reestruturação, que deverá implicar o despedimentos de várias dezenas de colaboradores e uma eventual reorganização no portfólio de marcas do grupo.

A fechar a carta, a administração liderada por Proença de Carvalho relembra que o “grupo detém marcas de inigualável reputação, que têm resistido à crise que se abateu sobre o sector da comunicação social; tornou-se líder no digital e tem o potencial necessário para assegurar a sua sustentabilidade, mantendo-se a prestar uma informação de alta qualidade, uma opinião séria e plural para o fortalecimento da opinião pública no nosso país e nos países que partilham a nossa língua. Só o podemos fazer se mantivermos a nossa independência e a nossa sustentabilidade, bem como o vosso empenho, todos os dias”.

 

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