Comentadores 2.0:  Inovação e bidireccionalidade na comunicação desportiva

Por a 11 de Novembro de 2019

Nuno MirandaO fenómeno do desporto – e do futebol, em particular – cresce hoje de forma ilimitada e de mãos dadas com a tecnologia que o ajuda a impulsionar. Os clubes e as marcas percebem-no e os fãs anseiam por poder aproveitar tudo aquilo que a tecnologia lhes proporciona, em vários dispositivos, on demand e de forma interactiva. Querem, no fundo, também eles fazer parte do fenómeno e crescer com ele.

Não é de estranhar, por isso, que os players das transmissões desportivas estejam hoje (muito) mais à frente no entretenimento inovador nos media – sabem, melhor do que qualquer outro, aproveitar e trabalhar em cima das oportunidades que a tecnologia lhes dá.

O desporto sempre foi pródigo a marcar tendências disruptivas. O Campeonato do Mundo da FIFA de 1970 foi o primeiro a ter transmissão a cores. 40 anos depois, em 2010, a Sky Sports lançou o primeiro canal 3D do Reino Unido. Em Portugal, a Samsung e a Meo transmitiram o primeiro jogo do Campeonato do Mundo de Futebol 2014 em 4k e, um ano depois, a Samsung e a NOS inovaram na transmissão de uma partida de futebol ao proporcionarem aos adeptos uma experiência imersiva 360º através de uns óculos de realidade virtual. O que se seguirá?

Nesta era digital em que hoje nos movemos, os fãs não procuram mais uma comunicação unidireccional de quem comenta os jogos ou analisa as partidas. Isso é coisa do passado. O desporto é, em primeiro lugar, um fenómeno social e entendê-lo como tal é essencial para a necessária humanização na forma como este é apresentado aos telespectadores. E inovação é também isso – falar a linguagem dos fãs, perceber as suas expectativas, desafiá-los, interagir com eles.

É por isso que a transformação digital e o uso de ferramentas digitais são hoje fundamentais para, jornada após jornada, criar com os fãs uma ligação emocional e transportá-los verdadeiramente para o centro da acção, dando lhes voz e fazendo-os sentir parte dos jogos e da equipa.

Os Comentadores 2.0, como gosto de os designar, fazem parte de uma nova geração de profissionais que estão a mudar globalmente a forma de apresentar e fazer chegar o desporto em todos os ecrãs – mais próximo das pessoas, mais real e interactivo, mais apelativo e divertido, mais humano. Sem alimentar ou incentivar polémicas. Apenas a pureza e beleza do desporto. Só o comentário e o ambiente que verdadeiramente interessa.

As redes sociais ajudaram a moldar esta tendência durante os directos, democratizando o acesso ao desporto e dando protagonismo a quem, até então, apenas se sentava no sofá a assistir a uma partida de futebol. Imagine-se a força que pode ter uma hashtag associada a uma partida. O carácter mais reconhecido das tendências digitais é hoje o
elo de ligação responsável que solidifica a bidireccionalidade relacional desportiva.

Acredito que o caminho para a revolução nas transmissões desportivas não poderá nunca deixar de lado o factor humano construído na relação comentadores/ telespectadores e o que os rodeia neste ambiente tecnológico actual. Oferecer experiências únicas, aprimoradas por conteúdos personalizados e por comentadores que abrem novos caminhos à interacção com os fãs não deve ser, por isso, apenas uma decisão de charme. Deve um imperativo estratégico.

Artigo de opinião de Nuno Miranda, director de marketing e comunicação da Eleven Sports Portugal

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