Cofina regista lucros de 4,3 milhões de euros

Por a 7 de Novembro de 2019
Octávio Ribeiro, Luís Santana e Paulo Fernandes (Cofina)

Octávio Ribeiro, Luís Santana e Paulo Fernandes (Cofina)

Os lucros do grupo Cofina Media aproximaram-se dos 4,3 milhões de euros nos primeiros nove meses deste ano, valor que representa um crescimento na ordem dos 15,3% quando comparado com o resultado líquido consolidado registado no período homólogo em 2018. No entanto, o crescimento reportado pelo grupo dono do Correio da Manhã é apurado comparando os lucros agora obtidos com o resultado líquido ajustado para os 3,7 milhões de euros no período de Janeiro a Setembro de 2018 após excluído o resultado das operações descontinuadas, na ordem dos 626 mil euros, que “resulta da re-expressão dos valores de 2018 para reflectir a alienação, ocorrida no final de 2018, da operação que o grupo Cofina detinha no Brasil, através da subsidiária AdCommedia e da associada Destak Brasil”. De acordo com o relatório enviado pelo grupo à CMVM esta quinta-feira, caso fosse contabilizado o resultado líquido reportado nos primeiros nove meses de 2018 sem a dedução dos resultados atríbuíveis às unidades descontinuadas, ligeiramente acima dos 4,3 milhões de euros, a evolução seria negativa, traduzindo um recuo de 1,4% nos lucros.

A contribuir para o crescimento dos lucros esteve sobretudo o corte do lado dos custos operacionais do grupo, que passaram de aproximadamente 56 milhões de euros entre Janeiro e Setembro de 2018 para os 53,3 milhões de euros no período homólogo deste ano, um redução de 4,7%. Uma poupança na ordem dos 2,7 milhões de euros que ajuda a explicar a evolução positiva num período em que o grupo dono do Correio da Manhã e da CMTV regista quebras em todas as linhas de receita, apresentando receitas operacionais de 65,1 milhões de euros quando falta apurar apenas o último trimestre do ano, um valor que se situa 2,2% abaixo dos 66,5 milhões de euros encaixados em 2018 pela mesma altura. Este recuo nas receitas operacionais é explicado por quebras de 2,6% (de 32,9 milhões de euros para 32 milhões) nas receitas de circulação e de 0,5% (de 19,8 milhões de euros para 19,7 milhões) ao nível das receitas publicitárias, às quais acresce ainda uma diminuição de 3,7% nas receitas de produtos de marketing alternativo e outros, dos 13,8 milhões de euros para os 13,3 milhões.

Com os custos operacionais em sentido descendente a contribuírem para equilibrar a balança, a Cofina foi capaz de melhorar a sua performance financeira apesar da evolução negativa das receitas, registando um subida de 11% no EBITDA consolidado no período de Janeiro a Setembro de 2019, fixado nos 11,7 milhões de euros. Resultado que compara com o valor próximo dos 10,6 milhões de euros reportados no exercício do período homólogo em 2018.

Concluídos os primeiros nove meses de 2019, a dívida nominal líquida da Cofina situa-se nos 49,3 milhões de euros, valor que representa um aumento de 7,1 milhões de euros face à dívida de 42,2 milhões de euros que o grupo registava no final do primeiro semestre e uma subida na ordem dos 9,6 milhões de euros se comparado com o endividamento de 39,7 milhões de euros reportado no encerramento do exercício de 2018.

O crescimento da dívida, justifica o grupo no relatório endereçado à CMVM, “está relacionado com o caucionamento de um montante de 10 milhões de euros no contexto do contrato de compra e venda celebrado em 20 de Setembro de 2019 com a Promotora de Informaciones, S.A. para a aquisição de 100% do capital social e direitos de voto da Vertix, SGPS, S.A. (e indirectamente de 94,69% do capital social e direitos de voto do grupo Média Capital, SGPS, S.A.)”.

A Cofina, recorde-se, aguarda agora apenas a decisão da Autoridade da Concorrência sobre o processo de aquisição da Media Capital, numa altura em que a ERC já fez saber que não se opõe ao negócio. A expectativa do grupo liderado por Paulo Fernandes é que a compra da dona da TVI possa estar concluída até ao final do primeiro trimestre do próximo ano. O negócio está avaliado em 181 milhões de euros. No entanto, a operação valoriza o grupo Media Capital em 255 milhões, uma vez que os novos donos irão assumir a dívida.

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