YouTube: Marcas com publicidade no canal do Chega (actualizado)

Por a 22 de Novembro de 2019

andre venturaO canal de YouTube do partido de André Ventura está a revelar-se um sucesso. O canal Chega conta actualmente com quase 23 mil subscritores, no entanto, o alcance dos vídeos publicados é bem maior. O vídeo do primeiro debate quinzenal no Parlamento “Ventura arrasa Costa” vai já em 175 mil visualizações. O vídeo “André Ventura demonstra que Costa mente aos portugueses” ultrapassou os 108 mil visualizações em apenas um dia. Já o mais recente “Intervenção de André Ventura na Manifestação das Forças de Segurança”, online há 21 horas, soma mais de 54 mil visualizações.

Um dia após a manifestação das forças de segurança em frente ao Parlamento, várias marcas apareceram no formato pre roll dos vídeos do canal do Chega para divulgarem as suas campanhas mais recentes. Entre essas marcas estão o Lidl, Intermarché, Endesa, Burger King, Leite Nova Açores e Kapten. Três especialistas em marketing digital ouvidos pelo M&P e que trabalham com a plataforma confirmam que isso significa que o partido de André Ventura está a monetizar o canal, ou seja, através do investimento dos anunciantes o partido Chega poderá estar a ser remunerado pelo YouTube. Há ainda a hipótese de a monetização ter como destino, por questões de direitos de autor, o criador de uma música que apareça no vídeo. Acontece que os vídeos são constituídos por discursos de André Ventura.

Uma das marcas envolvidas assegurou ao M&P que o problema estará do lado da Google, uma vez que tinha indicado que não queria que os seus anúncios surgissem ao lado de conteúdos políticos pelo que o canal do Chega estaria mal categorizado. No YouTube, o Chega descreve-se como um “partido político de base e natureza essencialmente popular. Nasce da profunda incapacidade dos partidos /movimentos políticos existentes em lidar com as rápidas mudanças em curso por toda a Europa”.

Já André Amaro, director de marketing da Kapten, assegura ao M&P que a marca “não tem, nem pretende ter, algum tipo de posicionamento político. A inserção de ads entre vídeos orgânicos na  plataforma Youtube não é controlada pelo anunciante, não sendo os anunciantes responsáveis por qualquer tipo de remuneração directa. No entanto, a Kapten estará atenta e não quer estar associada a campanhas que violem os seus valores e princípios éticos”.

Questionado pelo M&P, o Google não confirmou se já transferiu alguma remuneração para o Chega ou para o gestor do canal. O Google também remeteu as questões colocadas pelo M&P para as directrizes de publicidade, disponíveis na área de suporte de Google, que explicam como é que os anunciantes podem excluir as suas “campanhas de vídeo ao lado de conteúdo que pode não ser apropriado para a sua marca ou não servir os seus objectivos de publicidade”.

Ao final da tarde desta sexta-feira e após contactos do M&P juntos dos anunciantes e do Google, o canal do Chega deixou de contar com o formato pre roll. O formato banner continuava activo, sendo até usado pelo próprio Google para promover as suas soluções de publicidade. Já esta segunda-feira o canal do Chega apresentava publicidade em vídeo de marcas como Matrizauto e Cêgripe, e banners da Médis.

Recorde-se que no início de 2018 o YouTube apresentou, a nível mundial, regras mais apertadas para a monetização dos publishers. A plataforma também prometia oferecer aos anunciantes maior transparência sobre o local onde os seus anúncios eram exibidos.

Estas medidas do YouTube surgiram depois de várias marcas terem decidido suspender os seus anúncios no Google e no YouTube por terem estado associados a conteúdos extremistas e racistas. Marcas como a Sky, Vodafone, HSBC, Lloyds, McDonald’s, L’Oréal, Audi, BBC e The Guardian declararam publicamente que iriam parar de investir na plataforma até que o caso fosse esclarecido. Curiosamente o The Guardian, jornal que então investigou a remuneração de canais extremistas e racistas por parte de marcas britânicas, é outro dos anunciantes que surge no pre roll dos vídeos do partido Chega.

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Actualizado a 25 de Novembro com reacção da Google

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