APCT: Circulação impressa paga dos generalistas continua em queda

Por a 31 de Outubro de 2019

JornaisNenhum dos jornais generalistas e newsmagzines está a ser capaz de contrariar a erosão da circulação impressa paga. Entre Janeiro a Agosto deste ano, todos venderam menos exemplares face ao período homólogo em 2018. Analisando os números dos três diários generalistas auditados pela APCT, a quebra na circulação impressa paga chegou aos 7,6% já que, no seu conjunto, Correio da Manhã, Jornal de Notícias e Público venderam, em média, menos 10.770 exemplares por edição nos primeiros oito meses do ano em comparação com o mesmo período no ano anterior.

O Correio da Manhã mantém a liderança destacada do segmento no que diz respeito à circulação impressa paga, com uma média de 74.348 exemplares vendidos por edição nos primeiros oito meses deste ano. No entanto, estes números representam uma quebra de 9,05% relativamente ao período homólogo em 2018, altura em que o diário da Cofina Media registava uma média de circulação impressa paga ainda acima do patamar dos 80 mil exemplares (81.744). No segundo lugar, o Jornal de Notícias desce abaixo da fasquia dos 40 mil exemplares ao chegar ao final dos primeiros oito meses do ano com uma média de 39.793 exemplares vendidos por edição, uma quebra de 7,2% face aos 42.897 que registava em igual período de 2018. O Público, terceiro titulo mais vendido, é aquele que regista a descida mais reduzida, apresentando uma circulação impressa paga de 17.430 exemplares (-1,5%).

As quebras na circulação impressa paga não poupam também os títulos com periodicidade semanal. O Expresso, líder do segmento, regista uma diminuição de 6,7% ao passar dos 61.754 exemplares vendidos, em média, por cada edição publicada nos primeiros oito meses de 2018, para os 57.593 exemplares vendidos por edição em igual período deste ano. O Diário de Notícias continua a ser o título mais fustigado pela erosão da circulação impressa paga. Embora com a ressalva de que o título do Global Media Group passou a chegar às bancas uma vez por semana apenas a partir de Julho do último ano, o jornal apresenta uma circulação impressa paga, que diz respeito a uma média de exemplares vendidos por edição, de 5.651 exemplares entre Janeiro e Agosto, o que compara com 8.498 exemplares vendidos por edição no mesmo período em 2018 (-33,5%).

O Público mantém a tendência registada ao longo do primeiro semestre e volta a ser o único jornal generalista a apresentar um indicador positivo ao nível da circulação impressa paga, com um crescimento ao nível das suas vendas em banca (+7%). Os restantes títulos registam igualmente uma perda de expressão em banca, com quebras no Correio da Manhã (-9%), Jornal de Notícias (-10%), Expresso (-7%) e Diário de Notícias (-38%).

Para as newsmagazines o cenário não é mais animador. A Sábado é agora a líder do segmento, com uma média de circulação impressa paga de 37.914 exemplares, número que, no entanto, traduz uma diminuição de 2,8% face aos 38.986 exemplares vendidos pela revista da Cofina nos primeiros oito meses de 2018. Com 36.923 exemplares vendidos entre Janeiro e Agosto deste ano, a Visão perde a liderança que detinha por esta altura do último ano, quando a revista editada pela Trust in News vendia 41.104 exemplares, registando assim uma quebra de 10,2%.

Crescimento digital continua a ser insuficiente para compensar quebras

Embora a circulação digital paga mantenha uma tendência de crescimento em várias publicações, esse crescimento continua também a revelar-se insuficiente para compensar as quebras na circulação impressa. O Público mantém-se como o único jornal generalista a apresentar um saldo positivo com o crescimento de 18,4% na circulação digital paga, que passou de 12.109 nos meses de Janeiro a Agosto de 2018 para 14.334 nos primeiros oito meses de 2019, a superar a quebra de 1,5% na circulação impressa paga. O saldo final é uma circulação total paga de 31.764 que representa um crescimento de 6,6% relativamente aos 29.809 que o diário da Sonaecom registava nos primeiros oito meses de 2018.

É, no entanto, ao Expresso que continua a pertencer a liderança ao concluir o período de Janeiro a Agosto deste ano com uma circulação digital paga de 26.575, um crescimento de 8% relativamente aos números registados no período homólogo em 2018. Ainda assim, o saldo é negativo já que a circulação total paga do semanário da Impresa é de 84.168, uma descida de 2,6% face aos 86.373 que apresentava há um ano. Também com resultados positivos no digital está o Correio da Manhã, embora com uma base menos expressiva: 1.567 (+15,4%), mas o título da Cofina encerra também os oito primeiros meses de 2019 com saldo negativo (-8,7% na circulação total paga). Jornal de Notícias e Diário de Notícias registam quebras também no digital, ao descerem, respectivamente, para 5.154 (-9,5%) e 1.573 (-53,4%). Na circulação total paga, os dois títulos do Global Media Group descem 7,5% e 39,2%.

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