“A ideia é que haja um modelo único, não discriminatório, para todos os operadores”

Por a 1 de Agosto de 2018

Jorge RodriguesJorge Rodrigues, chief marketing officer da Nowo, operadora que tem nas suas mãos as negociações para a disponibilização dos canais da Eleven Sports na NOS, Meo e Vodafone, garante que o objectivo nunca passou por ficar com a exclusividade dos conteúdos no mercado português e que o modelo a acordar não reservará vantagens para a Nowo. Em entrevista ao M&P à margem de uma conferência de imprensa para anunciar o acordo com a TVI para a transmissão dos jogos em sinal aberto da Liga dos Campeões, o responsável assegura que “o objectivo sempre foi garantir a cobertura total do país com a participação de todas as operadoras” e diz acreditar que as negociações, que decorrem há cerca de um mês “com reuniões todas as semanas, bastante intensas”, chegarão a bom porto antes do dia 15 de Agosto, altura em que arrancam as competições europeias com a Supertaça a colocar frente-a-frente Real Madrid e Atlético de Madrid. “Não queremos que nenhum deles [NOS, Meo e Vodafone] tenha o problema de explicar aos seus consumidores que não vai ter produto”, aponta Jorge Rodrigues.

“Estamos a negociar há um mês com todas as outras operadoras, que têm algumas questões relativamente à distribuição, mas assim que essas questões estejam esclarecidas acredito que podemos o acordo com todos tal como agora fechámos com a TVI”, afirmou o chief marketing officer da Nowo durante a conferência de imprensa, na qual adiantou que a operadora já efectuou testes e se encontra “em condições de começar a distribuir os conteúdos”.

Meios & Publicidade (M&P): Que questões estão a ser levantadas do lado das outras operadoras que impedem que se finalize o acordo para distribuição dos canais da Eleven Sports?

Jorge Rodrigues (JR): São questões mais burocráticas do que outra coisa. Queremos todos ter a certeza, para que fique bem claro, quais são os direitos que estão incluídos, se os valores estão todos correctos, se todas as formalidades são cumpridas, de modo a que fique tudo certo e não haja depois dúvidas mais tarde. Fica já, desde o início, tudo acertado para que depois apenas nos preocupemos em comercializar o produto e não estejamos a discutir mais tarde outros temas.

M&P: Em que ponto está essa resposta às questões levantadas pelas operadoras? Já foram clarificadas?

JR: Estamos ainda na fase de resposta, tem sido um trabalho com mais de um mês que todos temos vindo a fazer em conjunto, com reuniões todas as semanas, bastante intensas porque estamos a falar de todo um produto que é novo no mercado e com a complexidade que tem. Mesmo em termos de equipas técnicas as coisas já estão a acontecer por isso estamos só à espera de fechar estes últimos pormenores para cumprir o dia 15 de Agosto, que é para nós o mais importante. Não queremos que nenhum deles tenha o problema de explicar aos seus consumidores que não vai ter produto. Estamos a trabalhar em conjunto para que isso não aconteça, para que todos em Portugal possam ter acesso. Sabemos também que tem havido questões por parte dos consumidores, nomeadamente de quem vive em regiões do país onde a Nowo não tem distribuição, mas para nós isso nunca foi um problema porque nunca foi um cenário que nós colocássemos, que o produto ficasse exclusivo connosco. O objectivo sempre foi garantir a cobertura total do país com a participação de todas as operadoras.

M&P: O facto de as outras três operadoras deterem uma posição accionista na Sport TV está a dificultar as negociações?

JR: Acho que não. São temas que as equipas de gestão conseguem separar. Claro que não é imune, diria que as pessoas são humanas e a situação não é imune. Mas acho que já toda a gente percebeu que a Eleven Sports é um player global com uma experiência enorme e que trata o mercado dos conteúdos desportivos de uma forma bastante profissional. Veio para ficar e é uma realidade com a qual vamos ter de trabalhar daqui para a frente. Não vejo que seja um problema, acho até que vai trazer mais dinamismo ao mercado, vai trazer mais disrupção, passamos a ter a Eleven Sports, a Sport TV, a Eurosport, a Benfica TV como conteúdos de eleição no segmento do desporto e o mercado, como um todo, vai mexer um pouco mais e todos ficam a ganhar. Competição sempre fez bem.

M&P: Não torna mais difícil a gestão do lado do consumidor, que passa a ter de pagar várias subscrições para ter acesso aos conteúdos?

JR: Se calhar cada consumidor vai ter de fazer a sua reflexão e pensar a que conteúdos dá mais valor. E perceber se é tão fã de desporto que quer comprar tudo ou não. Da mesma maneira que, quando a Benfica TV entrou no mercado, houve consumidores que acharam que só precisavam da Benfica TV e não da Sport TV enquanto outros consumidores compravam Benfica TV e Sport TV e outros que se mantiveram só com a Sport TV. Tudo isto são decisões que caberão a cada consumidor, saber como se vai adequar e que tipo de experiência vai querer ter. Aos poucos vai percebendo o tipo de produto que a Eleven Sports vai entregar e vai tomar as suas decisões. É uma questão de share of wallet e perceber onde é que se vai apostar. É uma decisão do consumidor, nós enquanto empresas o que temos de fazer é disponibilizar a oferta.

M&P: A distribuição que estão a negociar será feita nos mesmos moldes para todas as operadoras ou haverá uma diferenciação entre aquilo que a Nowo oferecerá aos seus clientes e aquilo que NOS, Meo e Vodafone poderão oferecer?

JR: A ideia é que haja um modelo único, não discriminatório, para todos os operadores. Não acreditamos em modelos com alíneas estranhas. A Nowo sempre se pautou, desde o seu nascimento, por uma postura transparente e justa, não temos aqui subterfúgios, o que queremos é que o produto da Eleven Sports cresça e que todo o mercado ganhe com isso. Quer os consumidores quer toda a cadeia de valor que está entre a produção e a distribuição.

M&P: Esta negociação implicará também uma renegociação com Sport TV relativamente ao valor que é pedido aos clientes da Nowo e das restantes operadoras pela subscrição dos canais premium?

JR: Isso é uma decisão que cabe à Sport TV. Quem define o modelo de negócio da Sport TV é a sua equipa, a sua gestão e, no limite, os seus accionistas. Nós, enquanto parceiros da Sport TV uma vez que distribuímos os produtos deles, vamos adequar e estamos a trabalhar com eles para que continuemos com uma distribuição normal e regular. Mais aí são estratégias que passam pelo lado deles, eles é que definem o produto, o pricing e o catálogo. Tal como com a Eleven Sports, somos distribuidores destes conteúdos premium. No caso da Eleven com uma relação um pouco mais próxima porque somos nós que estamos a representá-los no mercado português, mas quem define o produto, o modelo de negócio, o pricing e a forma como quer empacotar o produto para os consumidores são os canais. É uma decisão deles, nunca dos operadores.

M&P: O acordo de distribuição prevê, além dos dois canais desportivos, que podem ser seis nos casos em que haja sobreposição de horários, a disponibilização aos vossos clientes da plataforma OTT da Eleven Sports através das boxes?

JR: Os direitos OTT estão reservados para a Eleven Sports.

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