Unilever reduziu em 30% os gastos com agências criativas no último ano

Por a 9 de Março de 2018

unileverA tendência de grandes anunciantes reduzirem custos na relação com agências criativas continua a marcar o sector, agora com a Unilever a anunciar ter cortado o investimento em marketing em 30% ao aumentar a produção interna de conteúdos publicitários. A informação consta do relatório anual da multinacional relativamente ao ano de 2017, onde a empresa refere que “no marketing, estamos a criar mais conteúdos in-house”. “Os nossos 17 U-Studios em 12 países estão a criar conteúdos para as nossas marcas mais rápido e cerca de 30% mais barato do que as agências externas”, aponta o relatório.

A Unilever, que foi, de acordo com a MediaMonitor, o maior anunciante do mercado português em 2017, tinha anunciado no último ano um plano de redução de custos que incluía a redução para metade do número de agências criativas com as quais mantém relações a nível global, bem como uma diminuição de 40% no recurso a consultoras externas para a área do marketing e investimentos publicitários. No final do primeiro semestre do último ano, a multinacional anunciou ter chegado à conclusão de que cerca de 95% dos seus anúncios eram substituídos demasiado cedo e antes de poderem realmente ser eficientes, o que levou a uma viragem na sua estratégia de produção de conteúdos publicitários: passou a produzir menos anúncios e campanhas mas mantendo cada uma no ar por mais tempo, reduzindo desta forma o dinheiro gasto junto das agências de publicidade.

Como resultado desta estratégia, no final do primeiro semestre do último ano a Unilever garantiu ter poupado 300 milhões de dólares, com o orçamento alocado às agências de publicidade a descer 17 por cento só nos primeiros seis meses de 2017 comparativamente ao período homólogo em 2016. “Estávamos a produzir demasiado conteúdo, este ano vamos produzir 30 por cento menos”, explicava na altura o responsável máximo pelo marketing da Unilever, Keith Weed, esclarecendo que “algumas pessoas interpretaram isto como se estivéssemos a reduzir a nossa publicidade mas não estamos”.

Recorde-se que, recentemente, também a Procter & Gamble, o maior anunciante a nível global, fez saber que tem planos para cortar mais 400 milhões nas suas despesas com agências e custos de produção até 2021. Isto depois de ter já anunciado uma redução na ordem dos 750 milhões de dólares ao longo dos últimos três anos. 

No que diz respeito ao número de agências com as quais trabalha, a P&G reduziu esse lote em 60 por cento desde o início do ano fiscal de 2015, cortando o número de agências com as quais mantém relação das 6 mil para as actuais 2.500. Agora, espera aumentar a percentagem dessa redução para os 80 por cento, o que significará manter apenas cerca de 1200 agências em todo o mundo.

Este tema é desenvolvido na edição desta quinzena do M&P

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