Gestão de canal da televisão pública angolana retirada à Semba Comunicação

Por a 15 de Novembro de 2017

TPA2A Semba Comunicação, empresa que tem como sócios dois filhos de José Eduardo dos Santos, vai deixar de ser responsável pela gestão do do segundo canal da Televisão Pública de Angola (TPA). A ordem para o cessar dos contratos entre a estação pública e a empresa de comunicação dos irmãos Welwitshea ‘Tchizé’ e José Paulino dos Santos ‘Coreon Du’, filhos do ex-chefe de Estado angolano, partiu do novo presidente de Angola João Lourenço, e é conhecida no mesmo dia em que o chefe-de-Estado que assumiu o poder a 26 de Setembro exonerou Isabel dos Santos do cargo de presidente do conselho de administração da petrolífera estatal Sonangol.

De acordo com a agência Lusa, o fim do contrato consta de um comunicado do Ministério da Comunicação Social de Angola, seguindo o qual, “no cumprimento de orientações” do Presidente da República, “cessam a partir desta data todos os contratos entre o ministério em questão, a TPA e as empresas privadas Westside e Semba Comunicação” no que diz respeito à gestão da TPA Internacional e do segundo canal da estação pública, que “devem retornar ou passar para a esfera jurídica da TPA”. No que diz respeito à TPA2, cuja gestão era até aqui assegurada pela Semba, a programação actual deverá manter-se até ao próximo dia 31 de Dezembro, sendo que a nova gestão e direcção entrará em vigor a partir do dia 1 de Janeiro de 2018.

Já no caso da TPA Internacional, “permitir a completa reformulação da sua programação e a sua reentrada em funcionamento no prazo de tempo mais rápido possível” é o objectivo definido em comunicado, devendo a estação “cessar imediatamente” as emissões e nomear um “jornalista profissional” que ficará responsável pela direcção do canal sob supervisão de um administrador “a fim de definir uma nova grelha de programas”.

“A TPA deverá, em conjunto com as empresas que até agora assumiam a gestão do canal 2 e da TPA Internacional, encontrar as melhores soluções relativas aos equipamentos, estúdios e outras facilidade concedidas às empresas em questão, ao abrigo dos contratos hoje mandados cessar, velando igualmente pela situação dos trabalhadores da televisão pública que estão ao serviço daquelas empresas privadas”, pode ler-se no comunicado emitido pelo Ministério da Comunicação Social.

Recorde-se que João Lourenço exonerou no passado dia 9 de Novembro as administrações de todas as empresas públicas de comunicação social, nomeando novos administradores para a TPA, Rádio Nacional de Angola (RNA), Edições Novembro, que detém o Jornal de Angola, bem como para a agência Angola Press (Angop). “Devem procurar encontrar uma linha editorial que sirva de facto o interesse público, que dê voz, que dê espaço, aos cidadãos dos mais diferentes extratos sociais”, bem como “às organizações da chamada sociedade civil”, determinou o presidente angolano como orientações para os novos administradores durante a cerimónia de tomada de posse das novas administrações.

Na mesma altura havia já apontado a necessidade de transformar a TPA Internacional num “canal internacional que reflicta de facto a realidade de Angola, que venda a imagem Angola, que mostre as suas belezas, que mostre sobretudo as suas grandes potencialidades, para que desta forma possamos atrair não apenas turistas, mas sobretudo potenciais investidores”. “Não há democracia sem liberdade de expressão, sem liberdade de imprensa”, afirmou João Lourenço, sublinhando que se tratam de “direitos consagrados na nossa Constituição e que o executivo angolano, primeiro do que quaisquer outras instituições do Estado angolano, tem a obrigação de respeitar e cumprir”.

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