Impresa fecha primeiro semestre com quebra de 93% nos lucros

Por a 27 de Julho de 2017

ImpresaOs resultados trimestrais do grupo Impresa dão conta de um lucro de 2,84 milhões de euros entre Abril e Junho, uma descida de 22,5% face aos 3,7 milhões no trimestre homólogo em 2016. Com um primeiro trimestre marcado por prejuízos próximos dos 2,8 milhões, a Impresa fecha o semestre com um lucro de 85.603 euros. Este valor representa uma quebra na ordem dos 93% comparativamente aos lucros apresentados no primeiro semestre de 2016, fixados em 1,2 milhões de euros. O grupo liderado por Francisco Pedro Balsemão viu as suas receitas totais descerem 4,8% no segundo trimestre e 5,1% no resultado consolidado dos primeiros seis meses do ano, onde passaram de 104,5 milhões de euros para 99,2 milhões de euros. Uma diminuição que não foi possível compensar apesar do corte de 3,1% nos custos operacionais, de 96 milhões para 93 milhões de euros.

Analisando as fontes de receita do grupo verifica-se que houve uma variação positiva nas receitas de publicidade (+1%), circulação (+0,3%) e subscrição de canais (+1,3%) quando comparados os segundos trimestres de 2016 e 2017, com a descida de 4,8% nas receitas totais a ficar a dever-se à quebra de 36,7% no item Outras Receitas, onde se incluem, entre outros, os ganhos provenientes de chamadas de valor acrescentado. “Há indicadores operacionais positivos que demonstram que estamos no caminho certo. Este trimestre já colhemos frutos da implementação do nosso plano estratégico: aumentámos as receitas publicitárias e as de circulação, embora as receitas totais tenham caído devido à forte queda na área dos IVR”, explica Francisco Pinto Balsemão.

No entanto, se a análise recair sobre as contas consolidadas do primeiro semestre, a quebra das receitas totais é de 5,1% com o contributo de descidas transversais a todos os itens com excepção das receitas de circulação, onde o grupo registou um crescimento de 0,4%, fixando-se nos 11,2 milhões de euros. As receitas publicitárias dos primeiros seis meses deste ano foram de 58 milhões de euros (-0,3%) e as de subscrição de canais ficaram nos 21,7 milhões de euros (-0,4%), enquanto o item Outras Receitas regista uma quebra de 38,4%, passando de 13,3 milhões para 8,2 milhões de euros.

Separando por segmentos, a quebra das receitas foi percentualmente mais acentuada no publishing, onde o grupo detém títulos como o Expresso ou a Visão, onde as receitas consolidadas caíram 6,6% no primeiro semestre para os 22,3 milhões de euros (23,9 milhões no semestre homólogo em 2016). Aqui, a ligeira subida de 0,4% nas receitas de circulação foi abafada pela quebra de 8,9% nas receitas publicitárias, que desceram de 10,7 milhões de euros para 9,7 milhões, à qual se juntou uma diminuição na ordem dos 35,9% nas receitas oriundas de produtos alternativos, que passaram de 1,1 milhões de euros para 733.287 euros. O item Outras Receitas fixou-se nos 653.225 euros, uma descida de 28,9%. Do lado dos custos operacionais, o grupo levou a cabo uma diminuição de 8,1%, dos 24 milhões para 22,1 milhões de euros.

No entanto, foi na área de televisão, onde a Impresa detém a SIC, que se registou a maior quebra em volume, com a descida de 5,1% nas receitas do primeiro semestre a representar um encaixe de aproximadamente menos 4,1 milhões de euros, fixando-se nos 76,1 milhões de euros (80,2 milhões no primeiro semestre do último ano). As receitas publicitárias cresceram 1,5%, subindo de 47,5 milhões para 48,2 milhões de euros, mas o grupo viu as restantes receitas do segmento contraírem. A verba proveniente da subscrição de canais fixou-se nos 21,7 milhões de euros, uma descida de 0,4%, enquanto as receitas de multimédia caíram 50,5%, passando dos 8,4 milhões de euros para apenas 4,2 milhões. Também o item Outras Receitas sofreu uma descida de 18,6% nos primeiros seis meses deste ano, passando de 2,4 milhões para 2 milhões de euros. Do lado dos custos operacionais, regista-se uma diminuição de 1%, dos 69,6 milhões de euros para 69 milhões.

A dívida do grupo Impresa foi diminuída em 7,5 milhões de euros, fixando-se agora nos 189,1 milhões de euros, uma redução de 3,8% face à dívida de 196,6 milhões de euros que o grupo apresentava no semestre homólogo do último ano. Esta diminuição é, nas palavras de Francisco Pedro Balsemão, CEO do grupo que detém a SIC e o Expresso, “talvez ainda mais importante” do que a evolução positiva das receitas de publicidade e circulação no segundo trimestre. “Prosseguimos a nossa trajectória descendente dos últimos anos na redução da dívida, que desceu, em termos homólogos, 7,5 milhões de euros, para o valor mais baixo em 8 anos. Continuaremos, como sempre, a trabalhar no sentido de a reduzir”, afirma o CEO da Impresa.

No relatório e contas enviado pelo grupo à CMVM, a administração considera que “os indicadores operacionais e os resultados líquidos do grupo Impresa alcançados no segundo trimestre de 2017, bem como as medidas de reestruturação implementadas durante este período, inseridas num contexto macro-económico mais favorável, permitem o cumprimento dos objectivos propostos para este ano”. Recorde-se que a Impresa desistiu, na última sexta-feira, de uma emissão de dívida obrigacionista com a qual pretendia encaixar 35 milhões de euros.

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