APEPE pede à Câmara Municipal suspensão do concurso de publicidade exterior em Lisboa

Por a 4 de Abril de 2017
Nuno Fialho, presidente da APEPE

Nuno Fialho, presidente da APEPE

Numa carta aberta enviada a Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, a que o M&P teve acesso, a Associação Portuguesa das Empresas de Publicidade Exterior (APEPE) pediu esta terça-feira a suspensão do concurso para a concessão da publicidade exterior na cidade. Esperado há quase dois anos desde o momento em que o contrato anterior, válido por duas décadas, chegou ao fim, o concurso agora a decorrer é considerado “pouco democrático” pela associação que representa as empresas do sector, que diz ver o processo “com muita preocupação e consternação”. “Solicitamos que vossa Exa. suspenda de imediato o concurso de publicidade exterior em Lisboa, de forma a ter em conta algumas sugestões que pretendemos dar como contributo”, pode ler-se na carta dirigida a Fernando Medina, onde o presidente da associação, Nuno Fialho, pede uma reunião “com carácter de urgência”.

Em declarações ao M&P no âmbito de um artigo especial dedicado ao sector outdoor a publicar na edição desta semana, Nuno Fialho considera que o valor mínimo apontado pelo caderno de encargos determina, desde logo, que esse seja o único argumento para ganhar o concurso. O presidente da associação acredita que o vencedor será sempre “uma empresa com uma grande capacidade financeira para conseguir pagar mais de seis milhões de euros por ano, para além do investimento nos meios, do consumo energético e das contrapartidas para o município e ainda conseguir rentabilizar todo o investimento realizado”. “Existirá mercado com capacidade de aceitar valores de publicidade exterior que repercutam o investimento que a empresa que ganhe o concurso terá de pagar anualmente, para além dos outros custos de investimento?”, questiona Nuno Fialho.

“Depois de as empresas aguardarem tantos anos pela saída deste concurso, é como muita preocupação e consternação que vimos o formato deste concurso”, afirma o responsável, deixando claro que “a APEPE não concorda com este formato pouco democrático do concurso”. Isto porque, nas palavras do presidente da associação, “ao nível de concorrência, o concurso deixa muito a desejar pois está feito apenas para que as grandes empresas e multinacionais possam concorrer”, além de que, lamenta, “apenas uma empresa ou duas ficará com o total da publicidade em Lisboa por 15 anos”. “Com base em dados de 2014, as empresas que directa e indirectamente operam em publicidade exterior em Portugal totalizam 570 empresas, por que é que só uma empresa ou duas é que ficarão com o exclusivo da publicidade exterior em Lisboa por 15 anos?”, questiona.

Há mais questões que o concurso levanta, reforça Nuno Filho ao M&P e na missiva enviada a Fernando Medina: “As pequenas e médias empresas que até então tinham meios em Lisboa, com este concurso ficam vedadas de poderem concorrer pois não têm capacidade financeira? O que acontecerá às empresas que assim se vêm impossibilitadas de poderem ter meios publicitários em Lisboa? Reduzem pessoal? Encerram?”. Nuno Fialho alerta para o facto de que “o município de Lisboa não pode só procurar receita a qualquer custo para encaixar uns bons milhões por ano, o que poderá custar à economia do país, com desemprego e o encerramento de empresas”.

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