Apneia do Whatsapp? Depressão do Facebook? Síndrome da chamada imaginária? São as tecnopatologias

Por a 17 de Maio de 2016

tecnoO uso inadequado das novas tecnologias pode favorecer o aparecimento de novas condições psicológicas como, por exemplo, a apneia do WhatsApp (ansiedade por consultar mensagens de maneira compulsiva), a depressão do Facebook (necessidade de ver perfis de outros utilizadores como forma de reduzir a tristeza ao recordar momentos felizes do passado) e a síndrome do Google (o cérebro não consegue recordar e esquece dados como consequência do uso frequente de motores de busca). Estas são algumas das conclusões de uma análise aos comportamentos online de portugueses e espanhóis realizado pela Guess What Comunicação em colaboração com a empresa Evidentia Marketing e a agência de comunicação espanhola Torres & Carrera.
Estes dados vêm lembrar que a generalização do uso das redes sociais e dos serviços de mensagens instantâneas provoca a sensação de estarmos ligados aos outros através de um “like” ou de um “tweet”. As novas tecnologias propiciam novas conexões cerebrais e favorecem novos métodos de aprendizagem.
No entanto, as denominadas “tecnopatologias” estão apenas a um passo das doenças profissionais que acabarão por se consolidar, ainda que hoje se mantenham a meio caminho entre a patologia reconhecida e as manias pessoais. Estas condições são apenas exemplos das consequências que acarreta a saturação tecnológica a que estamos expostos hoje em dia.
As tecnopatologias mais recorrentes são:
– Apneia do Whatsapp – Consultar o Whatsapp de forma compulsiva, sempre à espera de ter recebido uma nova mensagem;
 Esta síndrome desencadeia-se quando o nosso cérebro nos faz imaginar que ouvimos o som de um telefone a tocar;
– Nomofobia: Nome que se dá à ansiedade e medo irracional da possibilidade de perder o telemóvel ou sair de casa sem ele;
– Depressão do Facebook: Afecta as pessoas que têm necessidade de ver perfis de outros utilizadores como forma de reduzir a tristeza ao recordar momentos felizes do passado;
– Síndrome do Google: O cérebro não consegue recordar-se de um determinado dado como consequência de poder aceder facilmente a essa informação a qualquer momento.
– Hipersensibilidade electromagnética: É um transtorno neurológico que afeta determinadas pessoas que reagem perante as radiações electromagnéticas não ionizantes como aquelas que são emitidas pelos telemóveis ou antenas de rádio.
De acordo com o psiquiatra e investigador Tiago Reis Marques, “nenhuma destas condições é reconhecida actualmente pelo meio médico. No entanto, a verdade é que o uso excessivo da internet (Facebook, Whatsapp, etc.) pode interferir negativamente nas relações interpessoais, e esses indivíduos podem apresentar fenómenos de tolerância bem como sintomas de abstinência, muito semelhantes aos que as pessoas com adições apresentam. Faço um paralelismo com a dependência dos videojogos, um fenómeno com cerca de 20 anos após a introdução na sociedade de jogos electrónicos extremamente populares entre adolescentes e jovens adultos”.

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