Esta campanha presidencial merece um like?

Por a 22 de Janeiro de 2016
JML

JMLPolíticos nacionais continuam a não apostar numa estratégia digital integrada, que promova o envolvimento com o eleitorado. Facebook e Instagram são as plataformas mais utilizadas pelas várias candidaturas, mas serão suficientes para captar votos, nomeadamente dos mais jovens? O caminho passa, cada vez mais, pela personalização da mensagem. Falar na terceira pessoa passou à história.

A poucos dias do “dia D” para a eleição do novo Presidente da República Portuguesa, verifica-se a ausência de uma estratégia integrada no que toca aos meios digitais por parte dos diferentes candidatos. A maioria continua a apostar, essencialmente, em redes sociais, como o Facebook e Instagram, em detrimento de outros meios e plataformas capazes de promover um maior engagement com os principais públicos que se encontram online, nomeadamente os mais jovens.

O Facebook tem sido utilizado como diário de campanha e muito pouco para encetar diálogo com os eleitores. A estratégia incide na partilha de conteúdos que abordam apenas a acção quotidiana nas ruas e o que se passa em torno da candidatura nos meios mais tradicionais, esquecendo, por exemplo, a apresentação do lado menos formal do candidato, do seu dia-a-dia ou mesmo dos bastidores de toda a campanha. Pouco ou nada é abordado acerca desta matéria e, afinal, todos nós procuramos, através das redes sociais, conteúdos mais pessoais.

O meio online não pode ser um mero repositório de imagens e peças de comunicação já veiculadas nos meios tradicionais. A aposta na realização de hangouts ou live chats, com debate de conteúdos importantes para a sociedade, deveria ser algo mais constante, garantindo um canal aberto de interacção com os seguidores.
Da mesma forma, é notória a ausência na comunicação de uma linguagem própria que vá ao encontro dos públicos online. Um exemplo é o tom utilizado nas redes sociais, em regra, na terceira pessoa, dando a entender que o candidato não intervém diretamente. Todos sabemos que existem equipas a gerir a comunicação das diferentes candidaturas, mas torna-se importante que o próprio candidato também se dirija directamente aos seus públicos no meio online, ou pelo menos assim dê a entender, tal como o faz fisicamente de norte a sul do país, durante a campanha. Neste caso, por exemplo, Henrique Neto e Marisa Matias são dos poucos que se dirigem aos seguidores da sua página de Facebook, respondendo, muitas vezes, a comentários.

Nesta campanha, o YouTube ou o Twitter continuam a ser plataformas descuradas. De realçar o facto de nem sequer terem sido equacionadas outras opções, como, por exemplo, o Snapchat e WhatsApp. É necessário investir na criação de conteúdos próprios e adequados a estes meios, assim como promover o trabalho junto de influenciadores de opinião (bloguers, instagramers e youtubers, de várias áreas profissionais, etárias e interesses), que possam prescrever junto dos seus seguidores as estratégias e mensagens dos candidatos.

Com a revolução tecnológica permanente, um candidato a um cargo político tem, actualmente, de “ser digital” e ter uma equipa bem preparada para o acompanhar nesta área de intervenção da sua estratégia de comunicação. Não basta olhar para este meio apenas como um complemento ao que acontece nos meios de comunicação tradicionais, veicular mensagens e apostar em meios só “porque sim”.

O marketing e comunicação política têm de adequar as suas mensagens aos novos canais e, para tal, é necessário um conhecimento aprofundado das características dos meios online.
Mais do que angariar seguidores para uma determinada página de candidatura numa rede social, torna-se importante para o sucesso desta acção angariar influenciadores no meio, nas mais variadas matérias e plataformas, envolvendo-os com a candidatura para que eles possam influenciar a sua rede. Resta esperar que as candidaturas passem a aceitar a era digital e a política 3.0.

Artigo de opinião de João Miguel Lopes, docente do IPAM e um dos participantes no debate online “Quais os principais erros que os 10 candidatos presidenciais estão a cometer nas redes sociais durante a campanha eleitoral?”

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