Fusão JCDecaux-Cemusa suspensa em Portugal

Por a 20 de Março de 2015

cemusa-jcdecauxA JCDecaux já não vai avançar com a compra da Cemusa em Portugal. A decisão foi comunicada esta quarta-feira pela multinacional francesa à Autoridade da Concorrência, que desde Agosto do ano passado estava a analisar esta aquisição. A entidade reguladora tinha decidido analisar o negócio porque “suscitava sérias dúvidas de possíveis entraves significativos à concorrência efectiva” no sector da publicidade exterior. “As preocupações suscitadas prendiam-se com o aumento do grau de concentração, a proximidade concorrencial entre as empresas participantes na operação e as barreiras à entrada e à expansão existentes, que poderiam ser agravadas pela operação em causa”, refere a Autoridade da Concorrência.

Várias entidades mostraram-se ao longo de 2014 contra este negócio, nomeadamente a APAME (Associação Portuguesa das Agências de Meios), APAN (Associação Portuguesa de Anunciantes), APEPE (Associação Portuguesa das Empresas de Publicidade Exterior) e a empresa MOP, a principal concorrente da JCDecaux-Cemusa.

Como refere agora em comunicado a Autoridade da Concorrência, a JCDecaux chegou a apresentar, em Fevereiro e Março deste ano, vários compromissos para convencer o regulador aprovar o negócio de compra. No entanto, a JCDecaux optou agora por interromper o processo.

O que significava a fusão

Já em 2013 os responsáveis por algumas agências de meios em Portugal tinham alertado para o cenário de que, perante o avanço da JCDecaux, o mercado de exterior ficaria concentrado numa única empresa. “Em Portugal de certeza que vão existir remédios que vão fazer com que haja partes dessa operação que não fiquem na JCDecaux”, disse então ao M&P Pedro Teles Baltazar, administrador da Nova Expressão. Também Luís Mergulhão, CEO da OMG descreveu a concentração como um “rude golpe na concorrência”. Segundo dados da OMG então divulgados, a JCDecaux tem uma quota de 50 por cento do mercado de publicidade exterior, enquanto a Cemusa e a MOP são responsáveis por uma fatia entre os 21 por cento e os 22 por cento. Analisando apenas os suportes mupis, a JCDecaux concentra metade do mercado, a Cemusa 35 por cento e a MOP 15 por cento. Segundo estes dados, a nova JCDecaux ficaria com 70 por cento do mercado de exterior e 85 por cento dos mupis em Portugal.

MOP interessada na Cemusa

Em Maio de 2013 foi tornado público que a multinacional espanhola FCC (Fomento Construcciones y Contratas) tinha decidido colocar à venda a Cemusa, empresa de publicidade exterior que opera em 13 países, de forma a reduzir o endividamento do grupo. Em Novembro soube-se que a MOP tinha manifestado à FCC o interesse em adquirir a operação da Cemusa em Portugal. A JCDecaux anunciou em Março de 2014 que, por 80 milhões de euros, tinha comprado a operação da Cemusa em todos os mercados onde estava presente.  O  acordo estava dependente da autorização das entidades reguladoras e da concorrência dos vários mercados, o que teria implicações no preço final.

Agora, Vasco Perestrelo, CEO da MOP, aguarda por mais desenvolvimentos. “É prematuro fazer qualquer declaração sem antes percebermos as razões exactas que levaram a JCDecaux a fazê-lo. Teoricamente, a compra da Cemusa em Portugal fazia parta de uma compra global da Cemusa pela JC Decaux. Com os dados dados conhecidos hoje sabemos que esta aquisição vai prosseguir noutros países e assim Portugal seria uma excepção que faria com que a Cemusa Portugal ficasse isolada. É assim muito importante assegurar que a Cemusa Portugal continuará a operar de forma totalmente independente em Portugal. Vamos aguardar por mais esclarecimentos”, referiu.

Deixe aqui o seu comentário