Perspectivas para 2012, por Octávio Ribeiro

Por a 23 de Dezembro de 2011

Previsões para 2012

Como será o ano de 2012 na área dos Media em Portugal? Não é preciso consultar a minha querida amiga Maya para antever as principais tendências:

1. Imprensa em papel: O mercado de consumidores continuará a encolher na inversa proporção da taxa de desemprego e dos rigores da austeridade. Os títulos, mesmo os mais saudáveis, poderão debater-se com problemas acrescidos na área da distribuição devido ao fecho ou incumprimento contratual de muitos pontos de venda (seria útil neste sector uma forte acção de identificação e captação de novos pontos de venda, em especial ao fim-de-semana, nos grandes centros urbanos). Alguns dos actuais produtos fecharão ou mudarão de mãos – novos players são desejáveis!

Não parece possível a continuidade de acções de dumping, tendentes a esconder pronunciados declínios de vendas com anacrónicos êxitos em campanhas de assinaturas para jornais diários impressos; isto, na década do digital. Alguém acredita? Por favor, meus senhores, matem a galinha mas não prometam depois ovos ao mercado.

2. Online: Continuará a crescer. Este será o ano em que se buscará o difícil equilíbrio entre a informação exclusiva e paga; e os conteúdos grátis, de consumo massivo, assegurados por receitas publicitárias. Mesmo em ambiente de recessão, consumo e receitas deverão continuar a subir. Grande crescimento no consumo e produção de conteúdos audiovisuais.

3. Tvs:

a) No free to air o ambiente será de profunda recessão. As estações são agora as grandes vítimas da estratégia suicidária dos últimos dez anos, em que se venderam espaços na antena a preços demasiado baixos. Os cortes de orçamento em grelhas e meios humanos deverão tornar-se críticos, comprometendo ainda mais a qualidade da oferta. O investimento publicitário continuará a migrar do desfoque da antena aberta para o cabo, onde os alvos são mais definidos; e para o online, onde encontra os mais jovens.

b) No cabo a oferta de informação tenderá a piorar na medida em que todos os projectos disponíveis estão ligados a canais generalistas em profunda crise de liderança e orçamental.

Será o ano do aprofundamento das técnicas de apelo à interactividade nos conteúdos – mesmo os publicitários -, e da consequente aposta no discurso multiplataforma.

Votos de um Feliz Natal e Bom 2012, para a equipa do M&P e todos os seus leitores!

As perspectivas para 2012 de Alberto Rui Pereira, António Cunha Vaz, António Mendes, Carlos Coelho, Diogo Anahory, Hugo Andrade, João Paulo Luz, Miguel Osório, Octávio Ribeiro e Paulo Campos Costa foram publicadas na sexta-feira, na edição em papel do papel do M&P. Para mais informações contacte Isabel Garcez.

 

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