Polémica em torno do conceito “relações públicas”

Por a 21 de Outubro de 2010

As afirmações de Adriano Duarte Rodrigues enquanto arguente das provas públicas de agregação de Nuno Goulart Brandão, professor do Instituto Superior Novas Profissões, já mereceram quatro comunicados, dois de associações do sector e outros dois de escolas superiores. O caso saltou para a praça pública após a publicação de um texto de opinião no DN, assinado por José Nuno Martins, sobre as provas de Nuno Goulart Brandão. A prova, que decorreu no ISCSP, baseava-se numa lição que seguia o tema “As relações públicas e os papéis relacionais com os media”. Segundo José Nuno Martins, Adriano Duarte Rodrigues terá optado por elencar a sua visão da disciplina de relações públicas. Uma expressão que se referiria às “mulheres de vida pública”, às “relações” usuais em “casas de passe” e às “relações privadas; talvez até, relações mais íntimas entre dois corpos”.

A SOPCOM (Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação), que congrega os académicos desta área, mostrou “inquietação e tristeza” pelo relato dos acontecimentos e considera que Adriano Duarte Rodrigues “usou de termos ofensivos e discriminatórios para com o candidato”. A associação considera que demonstra uma visão“diminuída” e “retorcida” do que é a investigação das relações públicas. A SOPCOM vai mais longe e aponta para as razões por detrás desta polémica: “Há mais de uma década que, por actos continuados e semelhantes àquele que ora repudiamos, a comunidade académica portuguesa de Ciências da Comunicação tem suportado esta indignidade de cevar os seus caprichos e ajustes de contas”, tratando-se aqui de “um ajuste de contas com a instituição de origem do candidato, e também com o seu orientador de doutoramento [Paquete de Oliveira]”. Também a APCE (Associação Portuguesa de Comunicação de Empresa), considerou as declarações de Adriano Duarte Rodrigues sobre a profissão de relações públicas “insólitas e ofensivas”. O Instituto das Novas Profissões e a Escola Superior de Comunicação Social, em comunicado, seguiram a mesma linha de críticas.

O autor de livros como Introdução à Semiótica, Estratégias da Comunicação e Campo dos Media e professor na Universidade Nova não hesita em considerar esta polémica um “disparate”e “um veneno”, que resulta de tirar frases “do contexto” a propósito do significado de “público” em “relações públicas”.

Adriano Duarte Rodrigues considera que não pôs em causa a qualidade do ensino da disciplina em Portugal: “Os cursos de relações públicas são essencialmente cursos de formação profissional, de boas maneiras para criar profissionais habilitados a trabalhar em empresas. O apelo que faço é que se reflicta sobre o que se faz e não aprender simplesmente a manejar os instrumentos técnicos das relações públicas. Estávamos numa agregação, que é o grau para aceder a uma cátedra, exige-se que uma pessoa maneje os conceitos e não seja meramente manejador de instrumentos técnicos. Essa parte, em Portugal, não existe.” E aponta: “Quem não quer dar-se a este esforço e acha que basta a aprendizagem profissional para ser um professor catedrático em relações públicas odeia-me.”

(tema desenvolvido na edição desta semana do M&P)

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