Especial Bancos de imagem – A resposta do sector

Por a 6 de Agosto de 2010

Perante a actual situação de mercado, os operadores do sector têm vindo a adaptar-se às novas realidades. Mas quais são os novos desafios que enfrentam e quais as medidas que estão a tomar para atravessar um momento em que a política de preços é um dos principais factores de decisão por parte dos clientes? Questionado sobre a necessidade de rever preços ou avançar com pacotes promocionais ou outro tipo de incentivos, José Pereira Pacheco (Fotobanco) reconhece que “só podemos ter uma atitude não passiva, reagindo contra este downsizing da procura. Desde há meses que trabalhamos nessa direcção, reforçando as nossas colecções e oferecendo novas colecções, preços promocionais e planos de assinaturas à medida, de forma a que os nossos clientes possam realizar melhores campanhas, pagando cada vez menos”. Pelo contrário, Paulo Fernandes (Casa da Imagem) acredita que a resposta tem de passar pela dinamização da oferta e não pela política de preços. “Os bancos de imagem têm que ter a capacidade de se adaptar a estes novos desafios e exigências para que consigam proporcionar aos seus clientes um leque extremamente variado de imagens e soluções de acordo com as suas necessidades”, considera. Já Jo Crosby (Getty Images) aponta para uma harmonização entre os dois factores, acreditando que “a chave para o sucesso passa pela inovação constante e expansão da nossa oferta aos clientes, de modo a que possamos dispor de conteúdo que vá ao encontro de todo o leque de preços”. Foi com isso em mente que a Getty lançou no arranque deste ano o novo serviço Thinkstock, “um site por subscrição que oferece um banco de imagens de elevada qualidade aos clientes com budgets mais reduzidos mas que precisam de grandes quantidades de imagens”. Neste serviço, explica Crosby, “os clientes podem subscrever pacotes mensais ou anuais ou até packs flexíveis”. Ainda assim, a prova de que o preço continua a ser um factor determinante e de que a tentativa de oferecer imagens low-cost continua a estabelecer uma fasquia no sector é visível na resposta da responsável em Portugal e Brasil da Fotolia, Fernanda Basílio: “Temos os preços mais competitivos do mercado com imagens de alta definição a partir de 0,14 euros em assinatura e 0,75 euros por unidade. Não necessitamos de fazer promoções para assegurar clientes”, atira. Além desta aposta no baixo custo unitário, Fernanda Basílio realça terem avançado com a “venda de ‘pacotes de créditos’ que permitem aos clientes economizar consoante o número de créditos comprados” e antecipa o início, “a partir de fins de Agosto ou início de Setembro, de operações ‘cashback’, que permitirão aos clientes ganhar créditos adicionais em função das compras realizadas em determinadas colecções”. Relativamente a esta tendência de nivelar os preços com fasquias muito baixas, Policarpo Brito, responsável do banco de imagem Abimago da Policas Design, tem uma opinião crítica. “Hoje em dia há cada vez mais bancos de imagens com imagens gratuitas, outros com preços reduzidos e com pacotes em que se pode pagar uma mensalidade e o consumidor tem direito a x imagens por dia e tudo isso faz com que as empresas recorram a essas opções, motivo que leva a que tenhamos que baixar preços”, aponta, lamentando ainda o facto de que “hoje em dia já tudo é negociável. Já lá vai o tempo em que se dava um orçamento e seria esse o preço final, já é habitual falar mais no preço do que no produto, desde a área do turismo passando pela fotografia de arquitectura e acabando na fotografia de estúdio e de moda”, critica. “As empresas já nos pedem trabalhos e já são elas que nos fazem o preço”, concretiza.

Quando olha para o futuro do sector, José Pereira Pacheco considera que “está aceite que o micro-stock é o novo paradigma digital que veio para ficar. A preços competitivos, e com uma qualidade crescente, possibilita-se que todos os utilizadores possam usar imagens licenciadas, deixando de compensar o roubo e a pirataria e trazendo ao mercado novos clientes e utilizadores”. Acreditando que este tipo de propostas low-cost/leque de oferta variado é o futuro do sector, o responsável do Fotobanco adianta que está a preparar “novidades que vão mexer com o mercado, com novas representações nesta áreade negócios, a anunciar dentro de semanas”, não avançando com mais pormenores. Também Maria Guimarães revela que “tanto por parte do AIC e da StockFood Portugal como para a VMI/Corbis estão previstos novos produtos, novas marcas, conteúdos inovadores e novos serviços a serem comunicados ao mercado muito em breve”, escusando-se a adiantar mais detalhes. Fernanda Basílio, por seu turno, aponta para breve o lançamento de novas ferramentas na linha de uma já em funcionamento que permite “a integração dos nossos serviços em produtos de outros parceiros, nomeadamente os plug-in Fotolia para o Microsoft Word e PowerPoint”. “Trata-se de um pequeno programa gratuito fornecido por nós que integra todas as funcionalidade do nosso site directamente no Word e no PowerPoint, resultante de uma parceria com a Microsoft”, explica a responsável. Do lado da Casa da Imagem, Paulo Fernades sublinha que também olham para o futuro do sector com a inovação no horizonte. É com isso em mente que procuram lançar novos produtos, com foi o caso do CrossMedia Pack, lançado em parceria com a empresa que representa, a Image Source, um produto através do qual “os clientes passam a poder adquirir as mesmas produções de imagens paradas e em movimento, usando os mesmos modelos, estilos e localizações, ou seja, embora possam adquirir cada imagem parada ou vídeo clip individualmente, os clientes terão agora a possibilidade de abranger todo o conjunto multimédia da campanha com uma simples compra”. Relativamente ao sentido para o qual está a caminhar o sector, Policarpo Brito é, uma vez mais, contundente e directo no alerta que deixa ao mercado: “As grandes novidades do sector são os bancos de imagem a oferecer imagens a custo zero que servem de engodo, ou seja, usam a internet e bancos de dados para enviar newsletters com fotos gratuitas, mas quando se entra nesse bancos de imagens há de facto algumas a custo zero, mas as melhores são a comprar. É como se fosse publicidade enganadora”.

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