O fracasso

Por a 16 de Julho de 2010

António Mello – Publicitário

Vamos aos factos

CQ é nomeado treinador.

CQ assegura o apuramento in extremis e com a ajuda dos adversários.

CQ escolhe os Black Eyed Peas para puxar pela nossa seleção, com uma musiquinha, a meu ver, beta e bem irritante: “ I got a feeling that tonight”. O pior é que os jogos foram de dia…

CQ escolhe a Covilhã para o estágio porque Covilhã começa por C.

CQ faz uns jogos treino surreais com Cabo Verde, Camarões e Moçambique. Parecia que começava a reconquista de África. O Império Colonial vinha aí…

Começam os episódios

A clavícula misteriosa do Dani…

As palavras e a lesão posterior de Deco que o atira para o banco…

Primeiro jogo. Empate

Segundo jogo. 7 -1 com a Coreia do Sul. Por acaso saiu tudo bem…

Terceiro jogo. Empate com o Brasil.

No meio disto tudo, o ketchup e a explosão de CR… E a brilhante ideia de convidar o famoso capitão da seleção de rugby que levou a África do Sul ao título de Campeão mundial, para palestra com os nossos jogadores… e treinador.

Quanto ao último jogo com a Espanha, pura e simplesmente rendemo-nos.

Só faltou a bandeira branca no campo de batalha. Luta? Alguém a viu? Tristeza!

Quanto a campanhas, salvaram-se

A Sagres, com a campanha “O que fazias pela seleção”. Bem humorada com o grupo de amigos, em convívio à volta da mesa… e duas ideias: a chegada da claque feminina a querer trocar de camisola e o pedido das “palhinhas”.

A McDonald’s, uma marca habitué de mundiais, com o Simão a fazer o gesto devorador de um Big Mac (até marcou e brincou com isso e fez saltar a marca para as notícias).

A Galp, com as ensurdecedoras vuvuzelas a ecoarem daqui à África do Sul e a aumentarem o volume de notoriedade da Galp. Campanhas e excelentes produções, a que a marca já nos habituou. Terá ficado aquém do Euro 2004 e do brilhante jingle Menos Ais, mas mesmo assim uma marca que passou às meias finais no campeonato da comunicação.

A Zon HD 3D, com a campanha Claque em grande animação. Excelente produção, jingle e mega produção. Uma fórmula que bem feita resulta sempre! E sim, acho que se viu o Mundial como nunca antes.

A Coca-Cola “always” presente nestas andanças, com uma comunicação alegre, típica do ADN da marca e que não se esgota no spot de TV. O conceito Solta a Celebração com a dança do golo dos jogadores e a música a condizer colocam a marca também nas meias finais!

O jornal I, com as belíssimas camisolas históricas da seleção. Grande ideia (que pode parecer óbvia, mas não é), que só poderia ser feita por este jornal.

Quanto ao BES, tenho um feeling que não deve ter tido um bom resultado. Cheira-me a empate! Também com a tática de CQ, reforçada com a desilusão CR e o golo mais caricato do mundial era difícil fazer melhor. Terá valido o concerto no Estádio Nacional…

Conclusão: Se queremos um Euro em que os Sponsors possam assegurar o tão famoso ROI nos seus investimentos, alguma coisa terá de mudar já. Antes que seja tarde!

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