‘Vamos inaugurar uma nova forma de fazer media ibérica’

Por a 26 de Fevereiro de 2010

A Mediagate abriu em Setembro um escritório em Madrid onde estão duas pessoas. Pedro Loureiro explica o projecto da agência que facturou no ano passado 16,5 milhões de euros e que tem entre os clientes o Banco Popular, a Chamartin, a Generali, o INDEG e a Escola de Gestão do Porto.

Meios & Publicidade (M&P): Há três anos, quando a agência abriu, tinha, entre outros objectivos, fazer media para mercados como Irlanda, Reino Unido, Espanha e Alemanha. Como correu esse processo?

Pedro Loureiro (PL): Tem corrido bem. A Mediagate nasceu com a ideia de ter capacidade de desenvolver estratégias de media para os seus clientes independentemente do território onde essas necessidades se situam. Dai termos uma excelente relação com empresas que representam títulos ou suportes estrangeiros. Temos uma relação de proximidade e recebemos muitas vezes esses meios internacionais. Paralelamente, temos vindo a desenvolver know-how nesta área.

M&P: Que know how é esse?

PL: As multinacionais pegam no briefing do cliente e passam para as suas sucursais, que desenvolvem uma estratégia com base naquele briefing. No fim, somam as estratégias diferentes e entregam-na ao cliente. Achamos que não é essa a metodologia,. Queremos ser nós a desenhar a estratégia. Pertencemos à maior network internacional de marketing e comunicação que é a Comvort. Podemos escolher com quem queremos trabalhar. É uma network informal, com muitas disciplinas: eventos, publicidade, media. Os mercados têm muitas particularidades. No mercado espanhol os jornais regionais têm um peso muito grande. O líder de imprensa, o El Pais, só lidera em Madrid. O ABC, que nasceu em Sevilha, é líder em Sevilha, mas não lidera em mais nenhuma região. No mercado alemão, os jornais também são regionais e só as revistas, como a Stern ou a Spiegel é que têm esta dimensão nacional.

M&P: Que casos tem para apresentar de clientes com quem trabalhe a nível internacional?

PL: Temos ajudado algumas agências a desenvolver as suas estratégias, que por questões de segredo profissional, não posso revelar. Para os nossos clientes, temos feito compra esporádica na Alemanha, Espanha, Itália, Brasil e França.

M&P: Como é que surge a oportunidade de abrir a Mediagate Espanha?

PL: Surge pela necessidade de dar corpo a esta ideia de media internacional. Espanha nasceu de fazermos uma coisa mais ibérica, para dar escala e dimensão ao nosso conhecimento e por uma questão de proximidade, para tratarmos o mercado ibérico como um mercado único. Claro que não é um objectivo para amanhã. É um objectivo para ser construído nos próximos anos. Acho que vamos inaugurar uma nova forma de fazer media ibérica. É uma confluência de culturas e de conhecimento que pode ser muito positiva para as empresas portuguesas que querem anunciar em Espanha e para as empresas espanholas que queiram anunciar em Portugal. a diferença é que conhecemos mesmo Espanha. Não pedimos à Mediagate Espanha para nos fazer o plano. Vamos no próximo semestre inaugurar um intercâmbio forte com Espanha em que todos nós vamos passar por lá e os colaboradores espanhóis passarão por Lisboa.

M&P: Que clientes estão a sustentar a operação em Espanha?

PL: Ganhámos agora a Ahorro Corporación Soluciones Inmobiliarias, estamos a trabalhar com a Quebramar e temos clientes locais mais pequenos na área da tecnologia. Temos muitas propostas para empresas trabalharem no mercado espanhol. Lá, como cá, temos uma relação muito estreita com a comunicação. É nosso objectivo desde o início que o nosso factor diferencial é esta ideia de media total, de juntar as duas medias: a comercial com a editorial e a nacional com a internacional. Este conjunto é o factor de diferenciação e uma capacidade de integração acima da média e com conhecimento próprio. Em Espanha trabalhamos com o grupo Albion, que é uma agencia forte no mercado espanhol. Temos clientes em conjunto e apresentamos propostas em conjunto.

M&P: A agência nasce com o apoio do grupo Albion.

PL: O grupo Albion tem sido positivo para nós, também os ajudamos a penetrar nos seus clientes com estratégia de media . A Ahorro Corporación Soluciones Inmobiliarias foi ganha em conjunto numa estratégia apresentada pelas duas empresas em concurso. É um modelo que queremos utilizar mais vezes.

M&P: Quando é que o projecto espanhol será rentável?

PL: É recente mas vai fazer um caminho interessante. Em 2010, será um projecto que se paga a si próprio e que poderá ter rentabilidade.

M&P: Qual o peso que poderá ter o escritório de Madrid?

PL: Nas empresas independentes, como a nossa, os projectos têm uma lógica de médio/longo prazo. Ter mais ou menos percentagem é pouco relevante, mas acredito que este ano 20 ou 30 por cento da facturação possa ser feita em Espanha. Não tenho essa meta, mas admito-o. E vamos fazer esse percurso para que no futuro me possa candidatar a ser a agência de meios em Espanha da EDP ou da Galp quando sentir que temos uma capacidade de resposta boa para o conseguir.

M&P: É um projecto ambicioso de uma agência que não aparece no ranking MediaMonitor.

PL: Nós compramos em conjunto com a Nova expressão. Temos o mesmo valor de acesso porque acreditamos que juntos compramos melhor. Fui director-geral da Nova Expressão e, quando saí, foi para fundar a Mediagate. Temos um modelo de partilha de custos e proveitos em que beneficiamos do crescimento mútuo.

M&P: A Cunha Vaz detém cinco por cento da agência. Foi ela quem fez a ponte com o grupo Albion, já que mantém um acordo com esta agência?

PL: Sim. A Cunha Vaz tem cinco por cento do capital, mas tem uma importância mais significativa que isso. A relação efectiva tem sido muito mais importante que essa, em clientes, em influência e em importância.

M&P: A agência está também a preparar um projecto de informação online. Em que consiste?

PL: Vai ser um portal de media chamado Liga-te à Media, que será um local onde toda a media se encontra. Organiza a oferta de media do mercado, onde se possa conhecer a sinopse dos meios e tabela de preços. A nossa ideia é tratar todos os meios que existem na MediaMonitor e na APCT. Deverá estar pronto até ao fim do semestre.

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