‘Não nos podemos acomodar’

Por a 26 de Fevereiro de 2010

João Figueiredo é presidente da Associação de Relações Públicas dos Açores (ARPA), que cumpriu agora um ano de existência. Um colectivo que “nasce pela necessidade da existência de uma entidade com o objecto principal da defesa dos interesses dos profissionais de RP, bem como com a promoção e divulgação da sua profissão”, refere João Figueiredo ao M&P.

Meios & Publicidade (M&P): Ao longo do último ano foram desenvolvendo várias acções e conferências para divulgar as relações públicas nos Açores. Significa isso que a actividade era pouco conhecida no arquipélago?

João Figueiredo (JF): A actividade é conhecida regionalmente. Contudo, esta não apresenta a conotação mais correcta. Quando se vive num país em que se banaliza a importância de uma área profissional infundadamente, não podemos tolerar que a profissão pela qual optamos e apresenta uma relevância social, desde 1873, seja adulterada. Não nos podemos acomodar. Temos de chocalhar as mentalidades. Cada vez mais, denota-se que o perfil do RP é aceite pelo tecido empresarial, mas não para pôr em prática o know-how adquirido. É pouco lógico criarmos diversos cursos e os indivíduos investirem nestes, para depois ir desempenhar cargos que não tenham nada haver com as competências profissionais que possuem.

M&P: Qual é a perspectiva que têm as empresas açorianas da consultoria em comunicação e da actividade em relações públicas? Os gestores açorianos levam a sério os benefícios da actividade?

JF: Os gestores não levam a sério as mais valias desta profissão. Os economistas e gestores apenas olham aos resultados, mas esquecem-se que os objectivos alcançados advêm da produtividade da maior riqueza das organizações – os seus recursos humanos. Regionalmente, tudo o que seja ligado à promoção e comunicação é sinónimo de “corte”. Ironia é ver os nossos líderes ousarem afirmar que possuem uma visão sustentável. Digo eu, um pouco limitada. Estes não gostam que alguém aponte o dedo, ou se toque na ferida. Para isso investiam em “paus mandados”, como o porta-voz que diz o que lhe mandam e não está a zelar pelos públicos afectos às organizações e muito menos a cooperar para maiores resultados da entidade a que pertence. No mercado contamos com poucas empresas a operar no ramo e, infelizmente, é uma área em desenvolvimento e com muito para dar, a longo prazo. Por exemplo, a empresa que está a executar a SCUT, na ilha de São Miguel, foi bastante rígida em contratar uma empresa local, apesar de ser um das poucas que tem feito um bom trabalho neste campo.

M&P: Que empresas açorianas considera serem um bom exemplo em termos de comunicação? Porquê?

JF: Existem algumas newsletters com conteúdos relevantes e que são instrumentos das RP, nomeadamente, a EDA, o Grupo Marques, o Município de Ponta Delgada, a Associação Agrícola de São Miguel, entre outras. Outras organizações que já efectuaram acções ou utilizam meios comunicacionais da área são: a TurAngra (politicas empresariais estratégicas e focadas no público-alvo); algumas agências do BPI (teambuildings); o DEG (comunicação com os seus clientes), Município de Vila do Porto (campanha de promoção da ilha), Grupo Nova Gráfica (politicas ambientais e preservação cultural e turística), ERA Ponta Delgada (foco no espírito de equipa e comprometimento), no Governo Regional dos Açores (no geral e nas várias Secretarias, praticam-se algumas linhas de Relações Públicas), etc. Em suma: muitas praticam não sabendo, quando sabem até fazem bem, mas planear esta área não, muito menos investir neste profissional. Daí ver-se poucas oportunidades no ramo das RP.

Deixe aqui o seu comentário