Quando o MPLA fazia marketing de guerra

Por a 24 de Abril de 2009

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Maurício Santana é hoje o director das operações da agência brasileira Engenho Novo em Angola. Mas a sua ligação àquele mercado não é recente e é um exemplo da influência que os publicitários brasileiros possuem em Angola. Em 1992 estava na brasileira Propeg, agência que foi destacada para trabalhar a campanha do MPLA para as eleições legislativas realizadas nesse ano. Entre 1998 e 2003 viveu mais um desafio na sua carreira, outra vez ligado à comunicação política, ou de guerra, se quisermos atender ao cenário que se vivia durante esse período em Angola.

Desta vez, Santana estava ligado à Link, outra agência de publicidade brasileira, mas o cliente a que se dedicou era o mesmo, o MPLA. A agência brasileira foi responsável por vários trabalhos de propaganda do MPLA, que incluia acções de marketing contra a UNITA que decorreram até à morte de Jonas Savimbi. Ao M&P Maurício Santana relembra o seu percurso em Angola com uma naturalidade que, num profissional português, talvez fosse sinónimo de ocultação ou segredo.

Agora, que está na Engenho Novo, a agência que vai trabalhar a publicidade da Copa das Nações Africanas, que se realiza em 2010, em Angola, diz que apenas faz “comunicação privada e governamental”.

A história da Engenho Novo, uma das várias agências brasileiras em Angola, teve o seu início há quatro anos.

Na altura, a Odrech escalonou a agência para fazer o lançamento do primeiro centro comercial da empresa em território angolano. Hoje, além do contrato com a competição desportiva mais importante do continente africano, a carteira de clientes é ampla. Engenharia, banca, telecomunicações e empresas ligadas à construção de satélites são alguns dos sectores abrangidos pelo portfólio da agência. Ligados ao escritório de Luanda estão 25 profissionais de origem brasileira e angolana, sendo que na área da produção a agência conta com o apoio de uma empresa portuguesa: a ADN filmes.

Maurício Santana, ao abordar a publicidade no país, diz que a “indústria da comunicação chegou a Angola”.

“Existe, está instalada e em desenvolvimento”, acrescenta. Mas, como em todos os mercados ainda por amadurecer, Santana aponta as lacunas: “Há uma grande necessidade de investir em mão-de-obra especializada e de estruturar melhor as entidades reguladoras que abrangem todas as actividades da cadeia de produção do sector, para que sejam implementadas boas práticas no mercado.”

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