O mercado publicitário em 2009. Profecia auto realizável?

Por a 30 de Janeiro de 2009

pho_2218.jpgpor, André Freire de Andrade – Director-geral da Carat Portugal
Aprofecia auto-realizável diz que, quanto mais as pessoas acreditam em uma coisa, mais elas podem influenciar o seu acontecimento”. Vivemos um período de crise e com o reajustamento dos mercados vem o arrefecimento do investimento já que os gestores optam regra geral por cortar mais do que arriscar. No sector publicitário esta realidade é especialmente dura, uma vez que a decisão de reduzir custos através de cortes nos orçamentos de publicidade é muito mais fácil do que reduzir despesas operacionais, vender activos ou despedir pessoas, o que acaba por levar a um ciclo vicioso de desinvestimento e retracção da economia.

Precisamos no entanto de manter a cabeça fria sobre estas decisões e ponderar todos os factores envolvidos. Anunciantes, Meios e Agencias têm um papel fundamental no atravessar da crise de modo a que a profecia não se realize.

Os Anunciantes não podem parar de investir, esperando para ver o que vai acontecer. O único prognóstico que arrisco é que aqueles que o fizerem não vão ter boas surpresas. A publicidade foi e continuará a ser catalisador do consumo e aqueles que souberem aproveitar as oportunidades que se apresentam sairão vencedores. Aliás, acredito que o efeito multiplicador pode ser significativo uma vez que as pessoas com emprego estável vão ter, em 2009, mais poder de compra do que em 2008: juros mais baixos, gasolina barata, descida da inflação e o aumento salarial de 2,9 por cento na função pública.
Os Meios têm o desafio de conseguir manter as suas estratégias editoriais e comerciais de forma consistente, adaptando-se às dificuldades mas não comprometendo o futuro. Para além disso, aqueles que apostaram na qualidade e consistência dos seus produtos e na qualificação e quantificação das suas audiências estarão certamente melhores preparados para justificar a continuação dos investimentos nos seus suportes.
As Agências vêem, mais do que nunca, o seu papel de aconselhamento estratégico ganhar importância, neste período de grandes desafios, budgets apertados e audiências fragmentadas. Criar valor, ao contrário de destruir, e pensar médio prazo com estratégias que façam sentido para além deste período difícil é o grande desafio e o que definirá quem sairá reforçado deste período.

Tal como para os consumidores onde muito terá a ver com confiança, também para os anunciantes esse factor será determinante. Previsões catastróficas servem apenas os interesses de alguns que tentam com isso colocar uma incontornável pressão comercial sobre os meios, forçando a que a lei da oferta e da procura funcione em antecipação e desproporcionadamente.

Cabe a todos os “players” do mercado contribuir para que a profecia seja de que a crise vai ser menor do que parece e que o impacto nas empresas deste sector seja limitada e de curta duração.

Deixe aqui o seu comentário