“Somos uma empresa financeiramente sólida”

Por a 4 de Julho de 2008

O recém-nomeado director-geral do Grupo V para Portugal analisa em entrevista ao M&P o mercado das publicações de nicho e fala sobre a estratégia que vai imprimir ao braço português do grupo espanholCom um percurso ligado ao ensino e à gestão em diversos projectos empresariais, nomeadamente como director financeiro da Genomed (diagnóstico de medicina molecular), a nomeação de Victor Craveiro Pereira para director-geral do Grupo V Portugal marca a estreia do profissional no sector editorial. Meios&Publicidade (M&P): O que leva um gestor com carreira na área da saúde a aceitar o cargo de director-geral de uma empresa editorial?
Victor Craveiro Pereira (VCP): Na minha actividade de docente de economia e gestão no ensino superior tenho tido contactos estreitos com a área editorial. Foi determinante a oportunidade de conhecer Martín Gabilondo, que comigo partilhou a sua visão empresarial da Editorial Grupo V, o que me deixou muitíssimo impressionado, tanto mais que, trabalhando há mais de 22 anos em cargos de gestão, de direcção e de administração, pude identificar um conjunto de valores que me são caros, como o da ética no trabalho, aliada à constante busca das oportunidades, apoiada na inovação e na procura de criação de valor, sem deixar de observar e de realizar caminhos de responsabilidade social. M&P: O Grupo V actua sobretudo na área das publicações especializadas. O mercado está propício a este género editorial?
VCP: Na evolução económica das sociedades, podemos sempre identificar, em todos os momentos, crises de grau variável. No entanto é nessas alturas que o engenho e arte devem ser maiores para ultrapassar as dificuldades. É fundamental e faz parte do nosso trabalho no Grupo V, comunicar bem, inovar, ir ao encontro do público, quer propiciando-lhe o que ele deseja, quer antecipando necessidades futuras. Temos constantemente que valorizar o que o consumidor deseja, nas suas várias vertentes de lazer, pedagogia, informação, até mesmo ajudando a sonhar.
M&P: Ainda há nichos por explorar em Portugal?
VCP: Em tese sim, mas somos a economia da União Europeia mais aberta ao exterior e qualquer novidade chega-nos muito depressa. Isso abre também a oportunidade de Portugal criar novas brands, essas sim inovadoras e que podemos depois exportar para a sociedade global. Somos um povo muito criativo a que não é alheio o facto de sermos “chão” antigo com mais de 5 mil anos ininterruptos de civilização. A Editorial Grupo V Portugal está e estará sempre atenta a essas oportunidades, desde que sejam enquadráveis dentro da visão e valores da nossa organização. Não encaramos a nossa actividade como um negócio, mas com sentido de missão junto do público que é amante da pesca, da caça, que gosta de futebol, de motos, de carros, de barcos, de animais de estimação, de ciência, enfim, no que o nosso empenho e engenho puder descobrir e implementar. M&P: Quais os projectos mais rentáveis dentro da editora?
VCP: Temos revistas mais rentáveis que outras, mas a todas olhamos com o mesmo orgulho, pois realizamos cada revista com todo o carinho e saber e a sua rentabilidade é em parte fruto do mercado diminuto que é Portugal. Somos realistas e basta observar que Portugal tem menos população que Londres ou Paris para se entender que tal é sempre um factor determinante para a rentabilidade dos títulos. Na área editorial portuguesa as margens são, regra geral, muito pequenas. Há também uma sazonalidade que é compreensível pelo tipo de público que temos, mas que é assim em geral no país para toda a imprensa. Daí também a nossa aposta no mercado de língua portuguesa e já exportamos para o Brasil e África. M&P: Há algum título deficitário?
VCP: Não temos nenhum título cujos custos editoriais, de impressão e de distribuição sejam superiores às receitas das vendas em banca e estamos empenhados em alcançar o público de uma forma regular, nomeadamente através das assinaturas. M&P: Que outros projectos podemos esperar para o futuro próximo?
VCP: Temos vários projectos, no entanto estamos a realizar os estudos para poder validar a sua implementação. É um trabalho em várias frentes, identificando as oportunidades e necessidades do mercado, encontrando o corpo redactorial adequado (com conhecimentos na área), prevendo e antecipando os incidentes que possam criar dificuldades acrescidas aos projectos e depois deste trabalho prévio, iniciaremos o lançamento de novos títulos. M&P: Pretendem explorar outras áreas no sector editorial como o custom publishing? VCP: Não é uma ideia que ponhamos de parte, até já fomos contactados. No entanto preferimos focalizar as nossas energias em projectos totalmente próprios, dirigidos a hobbies, lazer e pedagogia. M&P: Que planos tem o grupo para a exploração da vertente online?
VCP: É uma prioridade, pois é a complementaridade à qualidade das revistas que temos. O leitor gosta de ler os artigos, manusear a revista, sentir no tacto a qualidade do papel, ver a qualidades das fotografias, gosta de coleccionar as revistas, mas como estas são maioritariamente de base mensal, falta a actualidade, daí a necessidade dos websites. Já temos um blog da revista Futebolista (http://revistafutebolista.blogspot.com) e esperamos até ao final do ano ter todas as revistas com uma versão online, reforçando a vertente actualidade. M&P: Como analisa o actual mercado das publicações especializadas em termos de anunciantes?
VCP: O que se passa com o mercado de anunciantes é entendível pela terceira crise petrolífera que estamos a viver. O futuro torna-se mais incerto e daí que o mercado dos anunciantes se contraia por precaução, uns, por reais dificuldades, outros, anunciando menos. No entanto, nos nichos de mercado, que são a nossa especialização, anunciar ainda compensa, pois o custo unitário por contacto é muitíssimo mais baixo face ao mercado potencial. M&P: O Grupo V Portugal apresenta resultados positivos?
VCP: Sim, somos uma empresa portuguesa financeiramente sólida. Pagamos impostos no final de cada exercício anual, contribuindo desse modo para a riqueza nacional. M&P: Que expectativas de facturação tem para este ano?
VCP: Depende dos novos projectos a lançar, mas esperamos crescer 5% em relação ao ano transacto, uma expectativa prudente. M&P: O que representa a facturação do Grupo V Portugal no seio do grupo?
O Grupo V Portugal tem um destaque modesto no seio do Grupo V e só para dar uma ideia da ordem de grandeza comparativa, em Espanha publicamos 40 títulos contra os 8 actuais em Portugal. O mercado espanhol é também muito maior e, portanto, estamos a falar em patamares distintos, mas uma vez mais o que realçamos é que estamos no mercado da língua portuguesa e de oito pátrias, da Oceânia à Europa, e por isso ambicionamos mais e melhor.

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