“As grandes senhoras estão a envelhecer rapidamente”

Por a 11 de Julho de 2008

Nuno Cardoso está no WYGroup para fazer nascer a agência Nossa.
O ex-directo criativo da BBDO explica o projectoEm Outubro, Nuno Cardoso deixou a BBDO, agência onde esteve durante oito anos e onde passou pelos cargos de redactor, supervisor criativo e, mais tarde, director criativo. Agora no WYGroup está a preparar o lançamento da agência Nossa, ao lado de Duarte Durão (director de publicidade da TMN) e Maria Posser de Andrade (ex-BBDO, Publicis, TV Cabo e PT). O WYGroup integra a agência By, White (design gráfico) e StepValue (marketing digital). Na calha estão a Z Motion (modelação 3D) e mais três novas unidades de negócio. Meios & Publicidade (M&P): Entrou na By como consultor externo e passado uns meses passou a chief creative officer do WYGroup. O que mudou desde então?
Nuno Cardoso (NC): A minha saída da BBDO foi muito rápida e, depois de um intervalo sem anúncios, comecei a colaborar com a By. O desafio do Gonçalo Castelo Branco e do Pedro Janela foi muito aliciante. Estava em cima da mesa um projecto com pés e cabeça, ambicioso e com objectivos concretos. A By queria deixar de ser apenas uma agência de web e design para ser um verdadeiro grupo de comunicação. M&P: O que esteve a fazer na By nestes meses?
NC: A By é reconhecidamente uma das melhores agencias de web e aproveitei para fazer uma espécie de pós-graduação em internet. Criar para um meio que não dominamos tecnicamente é sempre mais difícil. Por isso, quis juntar a web às competências em meios tradicionais. Estou a também a aprender tudo sobre mobile marketing. Além disso, porque a minha vida é ter ideias, dirigi criativamente alguns grandes projectos de new business. E acabámos de ganhar um importantíssimo. M&P: Que projecto é esse?
NC: É do Estado e portanto tem que ser o cliente a anunciar. Mas é um projecto enorme para os próximos quatro anos. M&P: Que responsabilidades acarreta ser chief creative officer no WYGroup?
NC: Independentemente do cargo – no cartão diz chief creative officer – vou ser um catalisador de talento. Com a minha experiência, quero que o trabalho criativo de todo o grupo seja cada vez melhor. Aumentar a exigência e criar condições para que as pessoas mais talentosas queiram trabalhar aqui. Nos próximos três anos gostava que nos reconhecessem como um grupo nacional com excelente trabalho em todas as disciplinas da comunicação. M&P: Porque escolheu este projecto?
NC: Felizmente recebi bastantes convites, alguns muito tentadores e com projectos interessantes, mas todos tinham como foco a componente tradicional da publicidade. Isso não me bastava. Queria fazer algo diferente, intelectualmente mais estimulante, colocar-me à prova, sentir-me desconfortável, criar em novas áreas de comunicação. Criar é sinónimo de inovar e não andar sempre a fazer o mesmo. M&P: Como se vai chamar a agência de publicidade do WYGroup?
NC: Vai chamar-se Nossa. M&P: Quem são as pessoas que vão estar à frente da Nossa?
NC: Os três sócios iniciais da Nossa são o Duarte Durão, Maria Posser de Andrade e eu próprio. M&P: Que cargos terão?
NC: Eles terão pelouros na gestão e organização e eu a responsabilidade criativa. Mas conto contar-lhe tudo assim que o Duarte sair da TMN e estiver aqui sentado connosco. M&P: Porquê só agora a apresentação da nova agência?
NC: A agência está ainda a nascer e portanto temos evitado fazer barulho na sala de partos. A apresentação está prevista para Setembro, já com a equipa completa. M&P: Que clientes já conseguiram conquistar?
NC: Oficialmente ainda não começámos a trabalhar. No entanto, já fomos convidados para alguns concursos. E estão a correr muito bem. M&P: Vê-se a voltar a uma agência de publicidade tradicional?
NC: Não gosto de saltitar de agência em agência. Estive quatro anos na Euro RSCG e oito na BBDO, portanto quando entro num projecto é porque acredito nele. O WYGroup tem tudo para dar certo. Gente com talento, energia e integridade, cheia de vontade de fazer coisas novas e, principalmente, de novas maneiras. As grandes senhoras – as agências de publicidade tradicional – estão a envelhecer rapidamente. Por muito que recorram ao Botox já lhes falta a frescura e a vivacidade de outrora. Hoje, as agências têm que ser flexíveis e ter capacidade para responder à desorganização organizada do mercado. Não vale a pena chorar e pensar que antes havia mais tempo ou mais dinheiro. Nunca me hão-de ouvir lamentar e a culpar o mercado pelo mau trabalho. É assim que estamos e é assim que temos que ter boas ideias.
Quem é Nuno Presa Cardoso?

Nasceu em 1971 e licenciou-se em Ciências da Comunicação. Começou a escrever crónicas humorísticas na imprensa. No final dos anos 90 entrou para a Euro RSCG como redactor. Em 1999 aceitou o desafio da BBDO e durante oito anos acumulou trabalho e prémios em festivais de publicidade. Em 2005 viu ser seleccionado um dos seus anúncios para integrar a exposição permanente do Museu do Louvre (Kanguru para a Nissan). Em 2007 realizou a sua primeira exposição de fotografia e tornou-se cronista regular do Expresso. Já em 2008 assumiu o cargo de chief creative officer do WYGroup e prepara-se para lançar a sua própria agência de publicidade. O portfólio pode ser visto em www.nunopresacardoso.eu

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