“São as mulheres quem mais lê”

Por a 28 de Março de 2008

vanda acates

A Plátano Editora lançou a Livros de Seda, uma chancela dirigida ao público feminino. Vanda Acates explica o posicionamento.

Meios e Publicidade (M&P): Como surgiu a ideia de lançar uma editora dirigida ao target feminino?

Vanda Acates (VA): As mulheres são sem dúvida quem mais lê. A par dos hábitos de leitura, frequentemente são muitas vezes elas que fazem as compras lá para casa dos livros. No entanto, quando olhamos para os livros, muitas vezes vemos que estes usam lógicas que estão mais próximas do segmento masculino que do feminino. Não estamos à espera que, só por sermos uma editora dirigida às mulheres, estas comprem os livros. Mas não temos dúvidas que esta será sempre uma compra consciente e premeditada.

M&P: Que mais-valias é que a editora poderá trazer ao mercado editorial?

VA: A certeza de poder dar às mulheres exactamente aquilo que estas pretendem. Sabemos que existem outras editoras cujo catálogo já pretende dar resposta às necessidades das mulheres, mas nunca nenhuma teve o arrojo e a coragem de dizer: esta editora é para mulheres. Mesmo sendo certo que, quando os autores são bons, não existem livros para mulheres ou para homens. O Um segredo, do Philippe Grimber, foi finalista do Goncourt. É um livro só para mulheres? Não, não é. Mas digamos apenas que quem queremos primeiro atingir são as mulheres. Mesmo porque sabemos que, as mulheres ao lerem este livro, vão gostar. Logo vão passá-los aos filhos, ao marido, etc. Estamos certos que as mulheres ao olharem para os livros vão pensar que, de facto, aquele livro foi feito a pensar nelas.

M&P: A editora vai apostar mais na qualidade dos autores ou é mais uma operação de marketing da Plátano?

VA: Acho que o catálogo responde à sua pergunta. Em quatro títulos lançados, temos um finalista do prémio Goncourt, Um segredo, de Philippe Grimbert , um vencedor do prémio Jabuti, A Mulher que escreveu a Bíblia, seguindo-se outras obras como um finalista do Booker Prizer, As tatuagens de Miguel Ângelo, de Sarah Hall.

M&P Porquê o nome Livros de Seda?

VA: O nome da marca, por um lado, diz o que fazemos, que são os livros. Ao mesmo tempo que a Livros da Seda pretende ir ao encontro ao target a que se destina: as mulheres.

M&P: Que sensibilidade é que um autor deve ter para chegar ao público feminino?

VA: Não colocamos as coisas tanto nesse plano. O que posso dizer é que os nossos livros tentam responder a diferentes necessidades das mulheres. Por vezes, só nos apetece abrir o livro e descontrair. Mas é bom ter livros que nos desafiem, que nos obriguem a reflectir. Nesse sentido, o catálogo servirá as mulheres. E a imagem gráfica, os textos de contracapa, o texto de editora, não enganará a mulher quanto aos propósitos a que se destina.

M&P: Quais as diferenças entre os leitores do sexo masculino e do sexo feminino? Que tipo de obras é que cada um destes públicos valoriza mais?

VA: Todas as pessoas são diferentes, pelo que cada leitor terá para si aquelas obras que considera fundamentais, assim como ideais para passar o seu tempo livre ou descontrair. Não se trata de dividir por segmentos, mas sim pela abordagem ou pelos temas que são falados. Temas que reflectem a vida das mulheres interessarão mais às mulheres, que têm como personagens mulheres que criam reconhecimento nas leitoras, aquelas histórias que falam de vidas semelhantes às nossas, aos sonhos e seus problemas. As mulheres têm também uma consciência global mais acentuada, pelo que se interessam mais pelos temas que afectam o seu ambiente e a sociedade onde estão inseridas.

M&P: Quais as expectativas de vendas da Livros de Seda?

VA: Esta é uma editora com rosto, que pretende implementar-se progressivamente no mercado, prevendo-se um aumento constante de fidelização das nossas leitoras.

M&P: Os portugueses lêem muito poucos livros. Porque é que faz sentido lançar uma editora especialmente dirigida ao público feminino?

VA: Esse é um pressuposto que não partilhamos. Acreditamos que se lê cada vez mais. Dentro deste cenário feliz, são ainda as mulheres quem mais lê e são estas que têm uma função e capacidade de recomendação muito elevada. Quando gostam de um produto, divulgam. Estou certa que as mulheres ao lerem os nossos livros, vão claramente olhar para o lado e dizer ao marido que deveria ler aquele livro.

M&P: Qual o livro da sua vida e porquê?

VA: O Principezinho de Saint-Exupéry. Trata-se de um clássico literário que li em criança e que anos mais tarde voltei a ler. É um livro que nos faz sorrir, chorar e sonhar.

M&P: Qual a notícia que não gostaria de ver publicada no Meios & Publicidade?

VA: Que a Livros de Seda, ao contrário do seu código genético de empatia e respeito, é uma editora segregacionista em relação aos homens.

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