Ambiente ou ética?

Por a 17 de Dezembro de 2007

Para a maioria dos consumidores portugueses (58%) desenvolvimento sustentável, a expressão que entrou na ordem do dia na comunicação das marcas, é sinónimo de ambiente. O número é avançado pelo estudo Desenvolvimento Sustentável na Óptica dos Cidadãos e Empresas, encomendado pela Associação Portuguesa de Anunciantes à APEME, que refere que apenas 16% dos inquiridos indica a solidariedade como a área principal de actuação do desenvolvimento sustentável. O conhecimento, isto é, educação, formação e cultura, regista 14% das respostas. Daí que, segundo os consumidores, entre as áreas mais importantes para a actuação sustentável apareçam, por ordem decrescente, a preservação do ambiente e a utilização eficiente dos recursos naturais (45%), os incentivos ao conhecimento e educação (22%), os incentivos à saúde e investigação (15%), o apoio a causas sociais (8%), a integridade e ética nas relações internas e externas (6%) e o apoio à cultura (3%). E quais as instituições que contribuem para uma melhoria da sociedade? Com o melhor desempenho estão as ONG ao serem descritas por 67% dos inquiridos como muito activas/activas na área do desenvolvimento sustentável. Depois surgem os artistas famosos com 26% de avaliação positiva, seguidos das empresas (24%), Estado (23%), cidadãos (21%) e, no fim da tabela, a Igreja (9%).Do lado das empresas, as perspectivas são um pouco diferentes. Desenvolvimento sustentável é sinónimo de integridade e ética (49%), enquanto o ambiente fica nos 28% e os incentivos ao conhecimento nos 11%. Apenas um quarto dos responsáveis de empresas acreditam que as empresas têm dado alguma importância a este tema, mesmo assim, ficam à frente do governo (13%) e dos cidadãos (9%). As ONG lideram esta área ao receberem 74% de respostas positivas. Apesar deste resultado, os responsáveis pelas empresas fazem uma avaliação positiva do trabalho da sua empresa. Assim, 46% afirmam que o tema da sustentabilidade está bastante presente na sua empresa, 39% dizem que está sempre presente e apenas 15% admitem que não consta do quotidiano da organização. Já os funcionários das empresas estão, para 58% das empresas inquiridas, envolvidos nestes projectos, enquanto 21% dizem que estão pouco ou nada envolvidos. E quem centraliza a estratégia de sustentabilidade? Em 48% dos casos é a administração, em 20% o director geral, em 11% a direcção de comunicação e em 20% dos casos outra pessoa.

Existe também a convicção clara de que o desenvolvimento sustentável tem retorno (61%) e que tem muito impacto (28%) ou algum impacto (67%) junto dos consumidores. Os próprios consumidores parecem concordar, a avaliar pelas respostas perante casos concretos. A acção da EDP Programa Poupe nas Contas e no Ambiente foi conhecida por 83% dos inquiridos, com 65% a afirmarem que passaram a ter mais respeito pela empresa devido a este projecto. Também o programa da PT Escolas, conhecido por 73%, fez com que 56% afirmem ter agora mais respeito pela empresa promotora. A amostra deste estudo foi constituída por 580 cidadãos e 54 empresas.

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