A inversão da Tagus

Por a 7 de Dezembro de 2007

A Tagus suspendeu durante o fim-de-semana o conceito de comunicação “Tu és hetero' que estava a servir para comunicar a formação de uma comunidade virtual em www.orgulhohetero.com. “Face a algumas manifestações recebidas, considerámos oportuno reformular os termos em que a campanha esteve presente”, explicou a marca em comunicado, que referia ainda que “esta campanha não pretendia defender ou atacar nenhuma causa concreta. A mesma deveria ser entendida tendo em linha de conta o posicionamento irreverente da marca”. Tal como adiantou o M&P na passada sexta-feira, a campanha criada pela Lowe para a Tagus originou uma queixa junto do ICAP (Instituto Civil da Autodisciplina da Publicidade) e uma contra-campanha da associação gay Panteras Rosa. Em resposta às críticas, a Tagus referia que “o objectivo foi criar uma campanha que surpreendesse pela originalidade da abordagem, mas sem quaisquer preconceitos, sempre numa perspectiva positiva e respeitando as orientações de cada um”. Já no início da semana o site e a campanha de mupis apresentavam uma nova mensagem: “A verdade é que és livre de escolher. És livre de sair e de te divertires com quem tu quiseres. És livre de te assumires como quiseres”, pode ler-se agora.A marca inverteu a estratégia de comunicação após várias críticas. “Brinca com uma realidade demasiado séria e referindo-se a uma característica, a heterossexualidade, que sendo dominante e aceite por todos à partida, não discriminada, não precisa de causa ou manifesto”, referiu ao M&P Sara Martinho, que apresentou queixa junto do ICAP. “Falar de Orgulho Gay e Orgulho Hetero é, como, por exemplo, falar de Orgulho Branco e Orgulho Negro sendo o primeiro associado à opressão e discriminação que lhe é, a meu ver, correctamente imputada, e o segundo, visto como a luta por liberdades e igualdades plenas na sociedade”, declarou a mesma activista dos direitos LGBT. Ao longo destes dias, o site do M&P tem sido palco de uma discussão sobre a mensagem veiculada pela campanha da Tagus. Aqui ficam alguns dos argumentos dos leitores, a favor e contra a campanha “Tu és hetero?'.

A favor da campanha

1.”É violenta, exagerada a reacção de alguns activistas e militantes profissionais da comunidade gay portuguesa. Eu diria mesmo fundamentalista e demagoga. A publicidade faz-se de segmentação, quando vejo nos Estados Unidos um marca a posicionar-se para o segmento Hispânico não vejo a comunidade Judaica ou Afro-Americana ou WASP a fazer o folclore que os Panteras Rosa e a ILGA está a fazer”, por S.

2.”Estas organizações afirmam-se progressistas ao defender coisas como casamentos e adopção por pessoas do mesmo sexo, marchas de orgulho gay etc… e agora não conseguem aceitar uma campanha de publicidade?”, por Mário

3.”A campanha pode ou não ser feliz, mas pessoalmente acho que não infringe os direitos de ninguém. Aliás, alguém tem dúvidas sobre que determinadas marcas (e.g. Maxmen,…) não teriam problemas alguns em fazer uma campanha “Orgulho Macho”. Constituiria tal uma agressão a.. mmh.. a quem?”, por Rui

4.”Ofensiva porquê? Porque a maioria é hetero? Então assim sendo, deviam ser proibidas as publicidades ao Benfica (para não ofender a minoria de Sportinguistas, Portistas e restantes), aos carros (porque são em maioria em relação aos motociclos), aos sapatos (para não ofender a minoria que anda descalço)”, por Teebo

5.”Penso que é uma grande campanha de Marketing, pois criou buzz. Alguém com o mínimo de QI e inteligência emocional percebe a brincadeira”, por BR

Contra a campanha

1.”Muito bem feito!!! é para certos criativos aprenderem a não fazer campanhas ociosas como esta”, João Pedro

2.”A campanha pretendia chamar a atenção através da irreverência. A lógica está correcta. A comunidade homossexual, que é a primeira a defender os direitos Gay em Portugal, deveria compreender que a comunidade hetero tem todo o direito de se afirmar, tal como eles. Na lógica está correcto, mas na realidade foi socialmente rejeitado, por falha de interpretação”, por Tiago Matias

3.”Não percebo é como é que ainda há pessoas para quem a campanha não era ofensiva. Eu sou hetero mas não sou neo-nazi”, por André

4.”Comigo uma campanha destas da Tagus nunca passava!!! é de mau gosto e basta! Não me parece que tenha existido bom senso e ponderação, nem da agência nem da Tagus”, por Nuno Petinga

5.”A campanha é tão má, e posiciona o produto num nicho tão “grunho” que o torna apenas aspiracional para uns quantos adolescentes inseguros com necessidade de afirmar a sua heterossexualidade”, por Leonel Gonçalves

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