easyHotel aterra em Portugal

Por a 9 de Novembro de 2007

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O fundador do easyGroup, Stelios Haji-Ioannou, contou ao M&P, o que o levou a entrar no negócio dos hotéis low cost. O grupo, que criou aos 28 anos, actua já em 16 áreas de negócio. A primeira unidade portuguesa do easyHotel deve abrir em Agosto de 2008

AeasyHotel vai abrir quatro hotéis low cost em Portugal durante os próximos três anos. A primeira unidade deverá ser inaugurada no Porto, em Agosto de 2008, na Praça da Liberdade. A segunda unidade deverá ser em Lisboa e deverá iniciar actividade entre 2009 e 2010. O master franchise do easyHotel em Portugal é a empresa Best Ecran, criada para actuar na área do imobiliário e da construção. “Uma das razões que escolhemos para trabalhar com parceiros locais é porque conhecem as leis e as especificações de construção”, refere Lawrence Alexander, CEO do easyHotel. A Best Ecran terá os custos dos outros franchisados, ou seja, os custos de requalificação dos edifícios, um fee inicial e uma percentagem da facturação. Stelios Haji-Ioannou fundador do easyGroup esteve em Portugal para apresentar o conceito: “Estes hotéis low cost caracterizam-se por ser seguros, limpos e terem casa de banho.”

Mas recuemos no tempo para descobrir a origem do conceito. “Assim que comecei a pensar a fazer a extensão da marca easy da aviação para outros mercados, o conceito de um hotel vinha-me sempre à cabeça”, contou ao M&P Stelios Haji-Ioannou. Nos últimos 12 anos, diz, as pessoas começaram a viajar em companhias de aviação low cost, mas os hotéis continuaram caros. Este empreendedor confessa que, na altura, olhou com atenção para os hotéis do grupo Accor e decidiu que queria fazer algo diferente. Nessa fase passou cerca de um ano e meio a pensar na possibilidade de quartos partilhados. “Mas acabei por abandonar essa ideia”, disse Stelios Haji-Ioannou. E explica porque: “Percebi que não haveria muita gente a querer dividir o espaço com outras pessoas.” Stelios recordou, em conversa com o M&P, que a primeira vez que lhe ocorreu a ideia do conceito actual foi quando estava numa exposição de hotéis em Nova Iorque e havia um quarto muito moderno com superfícies em plástico. Nas palavras de Stelios, um quarto “muito invulgar”.

Mas foi quando se inspirou na a indústria dos cruzeiros que o conceito ganhou forma. “Foi na indústria dos cruzeiros que aprendemos muito do que sabemos”, confessa. E explica que nos navios os espaços dos quartos são muito pequenos e há quartos no meio do navio sem janelas. “Basicamente perguntei-me porque não aplicar este conceito num hotel no centro de uma cidade”, resume o fundador do easyGroup. Aliás, Stelios Haji-Ioannou começou a trabalhar com o pai, dono de uma empresa de navegação na Grécia, de onde é natural.

O responsável pelo império easy recorda que em 1994 comprou o primeiro edifício em Londres. “Não sabia ao certo qual iria ser o resultado, mas é isso que fazem os empreendedores”, graceja. Comprou o prédio e passou-se um ano e meio a estudar o design, o tamanho dos quartos, as formas. Quando “abrimos as reservas surpreendentemente havia muita gente a querer ficar lá”, recorda. Depois contratou uma equipa, entre a qual está Lawrence Alexander, CEO do easyHotel, que também esteve na apresentação em Lisboa, e começou a vendê-lo.

Na opinião do fundador do grupo o easyHotel “é uma extensão natural da aviação. É viagens, acomodação”. Mas sublinha que nem toda a gente que viaja na easyJet fica nos easyHotel e vice-versa. No entanto, na opinião do empreendedor, para uma pequena estadia os easyHotel “são perfeitos”.

A marca começou a ser exportada rapidamente. “Mas queríamos que as nossas parceiras entendessem correctamente a forma como trabalhamos a marca.” O primeiro franchising foi com a Suiça, já que poucos meses depois da inauguração em Londres abriu um hotel em Basileia. Actualmente a marca tem seis hotéis, todos localizados em centros urbanos. Os público-alvo são pessoas de negócios que vão às cidades e querem ficar em localizações centrais, mas também pessoas que visitam as cidades em turismo durante dois ou três dias. A marcação dos quartos, que têm entre 13 e 15 metros quadrados, só pode ser feita online. Os preços em Portugal deverão oscilar entre os 35 e os 40 euros por noite. “Queremos ser a marca mais barata de hotéis na cidade”, assegura. E acrescenta que será sempre possível encontrar hotéis sem marca mais baratos.

Para Stelios, “o design não é difícil de copiar. O que é difícil de copiar é a marca”. E o fundador explica que se uma pessoa começar em Portugal um negócio destes e lhe chamar YouHotels, “nunca ninguém ouviu falar da marca”. “Como é que o encontram? Como é que se lembram dele?”, questiona. Por isso, explica, o sucesso dos easyHotel é uma combinação entre marca e design.

“Os quartos dos easyHotel são idênticos nas suas várias localizações mas não iguais porque a legislação é muito variável de país para país. As cores são as mesmas, os princípios e filosofia também”, refere Stelios. E acrescenta que agora estão a desenhar um cabide para casacos porque têm que ir mudando ao receber feedback por parte dos clientes. “Temos que ouvir o que eles têm para dizer”, explica. Quanto à comunicação com os potenciais clientes a internet é o meio de eleição, mais especificamente os motores de busca. “Quando uma pessoa faz pesquisa de hotéis baratos queremos ser os primeiros a aparecer”, refere Lawrence Alexander, crescentando que estabeleceu um plano de marketing antes da abertura. Localmente, os responsáveis locais fazem a publicidade.

A marca easy está presente actualmente em 16 áreas de negócio, entre as quais se encontram além dos hotéis, a aviação, o aluguer de carros e os cruzeiros. Segundo o Sunday Times, Haji-Ioannou, entre 2006 e 2007 passou do 80º lugar para o 49º na lista das pessoas mais ricas do Reino Unido.
Como a easyHotel reduz preços?

Sistema inovador de requalificação de edifícios

Construção rápida

Tamanho reduzido dos quartos

Serviços limitados (por exemplo, não tem restaurante)

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