“Ninguém acreditou em mim”

Por a 9 de Novembro de 2007

O criador da Geox explica como criou em 12 anos a marca líder de calçado em Itália

A vida profissional de Marco Polegato estava bem longe do calçado. “A minha família produz vinho”, explicou o CEO da Geox de passagem pelo Congresso Internacional de Marketing. Mas uma caminhada mais prolongada pelas Rocky Mountains nos EUA fez-lhe ver que não tinha calçado adaptado a situações extremas, dado que não deixava o pé respirar. “Com um canivete cortei os sapatos para criar ventilação”. De regresso a Itália, não descansou enquanto não descobriu um sistema que permitisse que a sola dos sapatos fosse ventilada. “Ofereci a solução às maiores produtoras de calçado, mas ninguém acreditou em mim”. Depois de ouvir várias respostas negativas, “decidi produzir sapatos, apesar de não ter nenhuma formação” na área. Em 12 anos, a empresa que abriu com cinco pessoas, distribuídas pelas áreas de produção, marketing, research, finanças e vendas, cresceu para três mil colaboradores. Polegato é agora o quarto homem mais rico de Itália e o 287º do mundo, de acordo com a revista Forbes. A Geox é agora a marca líder em Itália e a terceira a nível mundial.

Na sua intervenção no Congresso Internacional de Marketing, Polegato deixou três dicas para os marketeers presentes: inovar, patentear e investigar. “Às vezes a inovação nasce de um pensamento, mas o desafio é transportar a ideia para o negócio. Poucas pessoas em Itália que criam estão ricas”, sublinhou, referindo que a marca canaliza 3% do seu orçamento para research. Além disso, “temos de proteger a ideia. Os pequenos e médios empreendedores não acreditam nas patentes”. E se exemplos faltassem, Marco Polegato apontou para as marcas de piza e para as cadeias de café. “O negócio está nas mãos dos americanos, apesar da criatividade ser italiana.” O CEO da Geox referiu ainda o papel que as universidades podem desempenhar nos negócios. “Poucas universidades explicam o que fazem, mas temos de colaborar com as elas. Só assim conseguimos transformar uma ideia num negócio, que tanto pode valer zero como mil milhões de euros”. O Congresso Internacional de Marketing, que decorreu esta segunda e terça no Estoril, foi organizado pela Associação Portuguesa dos Profissionais de Marketing (APPM).

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