Entre Bono e a VodaFone

Por a 9 de Março de 2007

Rui Marques

A Red, marca criada por Bono para apoiar as vítimas de sida, malária e tuberculose não conseguiu arrecadar até á data mais do que 15 milhões de euros. A notícia veiculada pela Advertising Age põs os holofones nas marcas que se associaram ao projecto. É que a Motorola, Gap, Apple, Converse, Armani, entre outras, investiram em marketing ligado ao projecto 80 milhões de euros. Gastaram mais as marcas do que vão receber os pobres a quem as receitas se destinam. O vocalista dos U2, que vai editar um número da Vanity Fair dedicado a África, está cheio de boas intenções. Aliás, está a fazer mais pelo povo africano que muitos governos do mundo ocidental (já para não me referir a alguns dos dirigentes que governam alguns dos estados africanos). Do lado das marcas, é que se esperava mais. Olhando para a realidade portuguesa, constata-se que a actividade solidária das marcas parece resumir-se ao Natal e ao período dos incêndios durante o Verão. Apesar de haver bons exemplos, não deixa de ser estranho ver marcas a pedirem ás suas agências de comunicação para divulgarem “actos de generosidade” quando esses gestos são insignificantes face aos lucros que a empresa distribui pelos accionistas.

A meio da semana, o Segredo Vodafone de secreto já tinha pouco. O fenómeno começou num blogue (segredovodafone.blogspot.com), apoiado por alguns vídeos alojados no YouTube. Aparentemente um grupo tinha assaltado a sede da empresa. Nos últimos dias foram colocando posts no blogue. Quem está atento a casos internacionais similares ou ao fenómenos que crescem no YouTube detecta imediatamente o objectivo desta acção: gerar buzz para um novo produto. Na quarta-feira o departamento de comunicação da marca garantia ao M&P que desconhecia a acção. É nisto que a sociedade de rede é poderosa. Aqui, acredito mais nos comentários anónimos que desmistificavam alguns pormenores dos vídeos do que na própria marca. O desfecho deste caso está por horas mas vem mostrar que até no YouTube existem fórmulas que estão próximas de se esgotarem.

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