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Por a 30 de Março de 2007

Rui Marques

Ao mesmo tempo que as novas tecnologias dizem que as boas ideias podem surgir de qualquer lado, também a crise de orçamentos levou os clientes a procurarem soluções mais baratas para resolverem as suas questões de comunicação. Daí que não haja semana em que não apareça uma nova agência ou empresa que anuncie uma nova área de actividade. Aquilo que podia até ser encarado como enriquecedor para o mercado está a mostrar-se a maneira mais fácil para que os clientes paguem pouco por poucas ideias e não queiram saber de uma estratégia consistente e concisa. Há quanto tempo é que não passa uma noite inteira a ver os intervalos de publicidade que passam nos nossos canais? Os exemplos estão á vista.

Quando o político se sobrepõe ao técnico. Podia ser este o resumo da discussão em torno da campanha Allgarve. A polémica, que só existe porque a estratégia foi apresentada pelo ministro da Economia, Manuel Pinho, devia ser recentrada numa simples questão: como é que este conceito ajuda a posicionar a região perante os mercados concorrentes? É neste ponto que quem dirige a imagem e o (eventual) marketing do nosso país está a falhar. A continuar assim, Portugal não vai distinguir-se da Turquia, Malta ou Chipre nos intervalos da CNN ou nas páginas da Time.

Austin, Barcelona e Amesterdão são exemplos de cidades criativas. O conceito esteve esta semana em debate em Oeiras, partindo do caso destas cidades que, com o apoio de entidades municipais e debaixo dos chamados 3Ts (Tecnologia, Talento e Tolerância) conseguem captar as indústrias culturais e tecnológicas, fazendo com que a economia da cidade viva das disciplinas criativas. Num momento em que a cidade de Lisboa mal tem dinheiro para pagar obrar em jardins, fica-se a pensar como seria a capital caso Santos fosse mesmo o Design District, as Amoreiras a Madison Avenue ou Lisboa conseguisse ser um hub europeu de produção. Pelo meio, Madrid e Barcelona vão trabalhando para que Lisboa fique relegada para um terceiro plano a nível ibérico, colocando-nos numa posição praticamente invisível em termos europeus

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