Mercado a Funcionar

Por a 1 de Setembro de 2006

Rui Marques

Será o Expresso realmente imbatível? O Independente, jornal cuja última edição chega hoje ás bancas, ajuda a dar a resposta. A resposta á direita ao semanário de Balsemão acaba por ter um fim triste. O semanário foi definhando, e a verdade é que a esmagadora maioria das pessoas que acolheram esta quarta-feira a notícia com surpresa não pegava no jornal há vários anos. Os anunciantes, mas principalmente os leitores, desaparecerem no virar da década. E com eles uma geração de jornalistas, que agora ocupa lugares de destaque noutras publicações, que ajudou a renovar a forma de pensar e escrever jornalismo em Portugal.

Estará, por exemplo, o Sol em condições de se tornar num espaço de referência na imprensa portuguesa? José António Saraiva mostrou nos últimos meses que não é o “maluco” que muitos diziam ser. Soube explorar muito bem a divulgação de notícias sobre o projecto, seja na imprensa especializada seja em revistas femininas, atingindo vários grupos que podem ajudar a que o lançamento do semanário ocorra de uma forma mais tranquila. Mesmo assim, ainda há muito caminho até o Sol chegar onde O Independente, no passado, chegou.

Uma semana depois do The Economist dedicar a capa á morte dos jornais, mostrando, no entanto, modelos de organização do negócio que contornam a crise, fecha mais um título. Há um ano A Capital e o centenário O Comércio do Porto terem seguido o mesmo caminho, os casos de O Independente e do Sol mostram, tal como sublinha Luís Mergulhão (pág.22), o dinamismo do único sector dos media (para além da internet) que se contra liberalizado. O mercado ditou o fim de O Independente e saberá avaliar qual o espaço que está reservado ao Sol. Apesar dos patrões dos media não verem com bons olhos a proliferação de títulos, é esta luta diária que torna a imprensa o sector mais apaixonante dos media portugueses.

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