Os patrões dos grupos

Por a 30 de Junho de 2006

martin

Aproveitando a maior concentração de jornalistas da área da comunicação por metro quadrado, três dos presidentes dos principais grupos de comunicação apareceram em eventos associados ao festival de publicidade de Cannes com registos bastante diferentes. Martin Sorrell, CEO do grupo WPP, foi o conferencista-estrela num encontro de quadros do grupo. Vicent Bolloré, presidente do conselho de administração do grupo Havas, aproveitou, na sua primeira deslocação ao festival, para explicar aos jornalistas os planos que tem para o grupo Aegis. Já Maurice Levy, CEO do grupo Publicis, foi o convidado com maior protagonismo no The Cannes Debate, encontro promovido pela Advertising Age para debater o confronto entre os new media e os meios tradicionais.

As explicações de Bolloré

Vicent Bolloré, que tem estado nas últimas semanas debaixo da atenção do sector dos meios por tentar, através da sua participação de 29% na Aegis, ocupar dois lugares no conselho de administração da empresa, explicou em conferência de imprensa as movimentações que têm ocorrido em torno da empresa de meios e do grupo Havas. Naquela que foi a sua primeira deslocação a Cannes, o presidente do conselho de administração do grupo Havas, mostrou-se realista quanto ao desempenho do grupo que dirige. «Há cinco anos, estávamos ao mesmo nível que a Publicis. A Publicis cresceu bastante, a Havas não». Bolloré foi lacónico: “temos o dinheiro suficiente para crescer”, afirmou, sem no entanto apontar quais os países ou empresas que, eventualmente, poderá comprar. A propósito da Aegis, Bolloré adiantou que “como accionistas, temos de participar no debate” da empresa. Apesar de deter 29% da Aegis, “se não chegarmos ao board, teremos apenas 30 minutos por ano para dar a nossa opinião”. Bolloré assegurou ainda que não pretende fundir a Media Planning (do grupo Havas), com o negócio de meios da Aegis, que inclui a Carat. “A Aegis tem de continuar independente. O modelo actual e bastante atraente e motivante”, justificou sem, no entanto, excluir sinergias entre as diferentes agências de meios, “ao nível das ligações comerciais, como é a compra de media”.

Pressionado pelos jornalistas para posicionar o seu grupo perante os outros gigantes da comunicação, Bolloré indicou que não precisa “de ser maior para ser mais eficaz. O tamanho actual é bom para os clientes porque evita os conflitos que têm os outros grupos. Poderemos vir a fazer aquisições, mas não é esse o nosso objectivo principal”, assegurou.

One man show

Já Martin Sorrel, CEO do grupo WPP, á mesma hora que decorria a cerimónia oficial de entrega dos prémios nas categorias de cyber e de imprensa, era o conferencista estrela do encontro da Wunderman que juntou alguns dos principais directores criativos da WPP. Os onze oradores da conferência tinham apenas seis minutos para apresentar as suas ideias, acompanhados por 20 slides, que mudavam a cada vinte segundos. Martin Sorrell, num verdadeiro estilo one man show, falou durante seis minutos, num tom bastante irónico, sobre o futuro funcionamento das agências de publicidade, onde todo o processo seria automatizado. Acabou por ser o orador mais aplaudido da noite, ou não fosse também a plateia maioritariamente constituída por profissionais da WPP.

As visões de Levy

“Não estamos no meio do funeral dos meios tradicionais”, assegurou Maurice Levy, CEO do grupo Publicis, durante o The Cannes Debate, encontro promovido pela Advertising Age que juntou também Tom Freston, CEO da Viacom, e Jean François Decaux, presidente da JC Decaux. “Mas se a imprensa não for capaz de criar um novo modelo, onde o papel e a internet sejam complementares, então teremos um problema”, explicou Levy. “Mas, muitos dos meios ainda não se aperceberam de que estão condenados a morrer. A imprensa está hoje numa posição muito difícil em todo o mundo, talvez apenas com a excepção de países como a Índia ou a China”. O responsável pela Publicis apontou para os novos consumidores que não estão dispostos a pagar por música ou por informação, já que a conseguem adquirir gratuitamente na internet.

Para Maurice Levy, o foco desta mudança de paradigma está nos consumidores que, graças á internet, também, se transformaram em editores, jornalistas e opinon makers.

Apesar do debate não contar com a presença de empresários da área da imprensa, o representante da televisão, Tom Freston, CEO da Viacom, exemplificou como é que a sua empresa está a acompanhar a fragmentação das audiências. Os canais de televisão, como é o exemplo da Nickelodeon, estão a transformar-se em plataformas que servem para distribuir conteúdos através da banda larga ou de revistas.

Já Jean François Decaux, presidente da JC Decaux e outro dos intervenientes do debate, acredita que o outdoor “é o único meio que não é afectado pela segmentação dos media. Aliás, os estudos indicam que as pessoas estão a passar cada vez mais tempo fora de casa” e, portanto, em contacto com a publicidade exterior. Sem querer excluir meios, Maurice Levy disse que está atento para saber “onde é que há-de por o dinheiro dos seus clientes”, sublinhando que “há novas maneiras de utilizar os meios tradicionais e velhas maneiras de usar os new media”.

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