Duas Ideias

Por a 2 de Junho de 2006

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O debate sobre o livro de Carrilho está praticamente esgotado e deverá agora continuar nos tribunais. Três semanas depois do início de toda esta polémica convém reter duas ideias. A primeira é a de que ‘PR has a PR problem’, uma expressão da americana Brenda Wrigley, recuperada por Miguel Moreira Rato no DE. Afinal são muitas as pessoas que têm uma ideia sobre a actividade das agências próxima da que Carrilho defende. O Conselho dos Notáveis deste mês, que integra apenas personalidades dos media e da comunicação, apresenta números que reflectem uma diferença abissal entre o discurso das agências e a forma como a sua actividade é percepcionada. Para 42%, as agências de comunicação conseguem comprar espaço editorial nos media para os seus clientes. Quase metade do painel diz que as agências obtêm um tratamento favorável nos media para os seus clientes. Sinal de que os jornalistas são permeáveis ou de que as agências são mesmo poderosas são os 67% que afirmam que as agências influenciam conteúdos editoriais. É um cenário bem diferente daquele que é descrito nesta edição por António Cunha Vaz, numa das raras vezes em que se pronunciou durante esta polémica, que descreve os serviços prestados pelas agências como um outsourcing. “Quando as empresas não têm profissionais que façam chegar a informação a quem a solicita – os jornalistas -, como os empresários não têm tempo para no dia-a-dia responderem ás questões colocadas recorrem a esses serviços externos”, comenta. Mas, a avaliar pelo rescaldo do debate, existe uma imensa maioria que acha que as agências conseguem entrar onde os departamentos internos de comunicação ficam á porta. A segunda ideia que fica prende-se com a necessidade de discutir um código de conduta. Um ponto que, aparentemente, não desperta grandes paixões mas que foi defendido por Luís Paixão Martins num artigo do Público. O consultor aponta para os problemas que levanta a apresentação de propostas que incluem os objectivos de cobertura mediática. “Além de irrealista, é um expediente que prejudica a imagem destas empresas, que não ajuda os potenciais clientes a compreender o funcionamento dos media e que revela, da parte dos seus autores, uma concepção pouco séria e nada rigorosa do relacionamento com os jornalistas”. O consultor condena ainda “a retribuição em função dos resultados mediáticos obtidos”. Até estalar o caso Carrilho, Luís Paixão Martins defendia que a actividade das agências não precisavam de regulamentação.

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