Cannes e Concursos

Por a 16 de Junho de 2006

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Poderá alguma vez Portugal ser um centro criativo com algum relevo mundial? É pouco provável. A dimensão do mercado interno não o permite. Aqueles que seriam o mercado natural de expansão, os países de língua portuguesa, não têm as portas propriamente abertas. O Brasil é uma potência avassaladora e praticamente impenetrável. Aliás, o movimento é precisamente no sentido inverso. Basta recordar Eduardo Fischer que, além de trabalhar a Uzo, não se cansa de repetir em consecutivas entrevistas que quer entrar na Europa através de Portugal, ou de Nizan Guanaes que através da agência África faz trabalhos em Portugal. São dois exemplos de agências que conseguiram entrar no nosso país graças ao alto patrocínio… da PT. Olhando para os PALOPs, para além de algum apoio dado pelos publicitários na abertura dos escritórios das suas multinacionais ou na comunicação de marcas portuguesas, não se tem visto grande entusiasmo. Entretanto, continua a acentuar-se o movimento das multinacionais centralizarem os centros de criatividade fora de Portugal, seja em Espanha, no Brasil ou na Argentina, mercados que se mostram cada vez mais competitivos. No plano das ideias, em entrevista (págs. 20 e 21), Pedro Bidarra sublinha que não “produzimos trabalhos de qualidade em quantidade suficiente para que a comunidade publicitária por esse mundo fora possa fazer de nós uma ideia diferente daquela que tem. É preciso uma quantidade apreciável de ideias boas para que a coisa não seja vista como um acaso”. No fim da próxima semana, quando acabar mais uma edição do festival de Cannes, saberemos qual a posição que Portugal ocupa no ranking mundial da criatividade.

Esta semana fizemos uma pergunta que não é propriamente nova: é uma boa ideia estabelecer regras para os concursos de publicidade? A avaliar pelas respostas obtidas: sim. Os anunciantes, pela voz da APAN, são favoráveis. As agências, escaldadas de exemplos de concursos com um desfecho injustificado ou com mais participantes que a maratona de Lisboa, também concordam. O exemplo vem de Espanha onde anunciantes e agências conseguiram chegar a um consenso sobre um conjunto de normas para ordenar a consulta ao mercado. A promotora desta iniciativa foi a associação de agências de publicidade espanhola que, no passado, conseguiu concretizar durante um mês um boicote aos concursos de publicidade promovidos pela administração pública. Seremos nós, portugueses, geneticamente avessos a iniciativas como esta?

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