Nuno Santana

Por a 13 de Janeiro de 2006

Nuno Santana - Sistemas Rafael

A celebrar o décimo aniversário, a Sistemas Rafael passou de uma empresa com o core business em pós-produção de imagem para uma empresa que oferece serviços de pós-produçao, pré-impressão, impressão digital de pequeno e grande formato e com uma unidade de negócio em material de ponto de venda promocional

Nuno Santana é o director executivo da Sistemas Rafael, uma empresa criada em 1993 que teve, dois anos depois, o seu primeiro grande cliente: a campanha criada pela Euro RSCG para a Expo 98, os bébés a nadar debaixo de água, que lhes permitiu crescer e criar novas unidades de negócio.

Meios e Publicidade (MP): Como é que surgiu a empresa?

Nuno Santana (NS): Em 1993, José Santana, na altura director de marketing e de relações publicas da Mercedes-Benz Portugal foi contactado pelo Grupo Rafael para abrir uma representação em Portugal. Inicialmente adoptámos como modelo de funcionamento a presença de um comercial em Portugal e toda a produção em Madrid em que o “core” era basicamente pós-produção de imagem. Desafiámos o mercado em 1994 junto dos principais fotógrafos e agências de publicidade. Correu bem e em 1995 abrimos um centro de produção em Lisboa com um equipamento Quantel que na altura era o supra-sumo na pós-produção de imagem.

MP: Qual foi o vosso primeiro grande cliente?

NS: No fim de 1995 fomos contactados por uma agência liderada na altura por Manuel Maltez, com uma equipa que incluía o Miguel Fernandes, a Clara Portela, o Joaquim Torres, entre muitos outros, que nos desafiou para resolver um problema. Tinham estado a filmar o primeiro filme da campanha da Expo 98, que tinha como protagonistas uns bebés a nadar debaixo de água, e que por qualquer motivo não tinham tido hipóteses de tirar fotografias pelo que a partir dos frames de um filme 35mm se teve que produzir a campanha mundial de imprensa e exterior da Expo 98. Após muitas directas e fins-de-semana a corrigir provas de cor, conseguimos ter aprovadas as imagens que depois deram a volta ao mundo.

MP: Como é que evoluíram nestes dez anos?

NS: Em 1995, por termos sido desafiados pela Euro RSCG, criámos um departamento de pré-impressão. Fazíamos as artes-finais, produzíamos os fotolitos e as provas de cor. Em 1997 montámos o maior estúdio de fotografia de Portugal, vocacionado essencialmente para alugar aos fotógrafos de publicidade e moda. No fundo tínhamos dois tipos de clientes: os fotógrafos, que nos alugavam o estúdio e faziam pós-produçao, e as agências que nos solicitavam artes finais e pré-impressão. Em 1999 abrimos a área de impressão digital de pequeno e grande formato. Em 2000 criámos a Prodaction, uma unidade de negócio que se foca em material de ponto de venda promocional e que no fundo importa de todo o mundo soluções inovadoras na área de ponto de venda. Além disso representa o maior produtor de PLV Espanhol. Em 2002 mudámo-nos para novas instalações em Alfragide com 1500 m2, mudança esta que foi essencial para termos outra operacionalidade e posicionamento.

MP: Que balanço faz desses dez anos?

NS: Que temos que mudar e fazer melhor todos os dias. Hoje em dia nada está consolidado, o mercado muda muito rapidamente, os produtos e serviços que temos, cada vez têm ciclos mais curtos razão pela qual é mais difícil criar valor efectivo para os nossos clientes. Tornámo-nos experts em equacionar diariamente o nosso negócio, inovar todos os dias e sobretudo orientarmo-nos para os nossos clientes.

MP: O que representou para a empresa o quinto aniversário?

NS: O ano de 2000 foi claramente um ano de mudança para a empresa. Sentimos o mercado a abrandar e mudámos. Deixámos de investir na área de pós-produçao e pré-impressao e focámo-nos essencialmente em detectar necessidades do mercado e responder ás mesmas de uma forma eficiente e inovadora. Para marcar essa mudança fizemos o evento “Image Night” em que mudámos a imagem de cinco presidentes de agências, na altura Anthony Gibson (Leo Burnett), Diogo Mendonça (Bates), João França Martins (Lintas), Jorge Marques (Strat) e Rui Trigo (Central de Comunicação). Foi no Indústria em Lisboa e tivemos cerca de 1500 pessoas. No fundo quisemos demonstrar ao mercado que estávamos a mudar. Mudámos na altura certa porque grande parte das empresas que nos faziam frente na área de pós-produçao e pré-impressão estão hoje fechadas.

MP: O que significa para si este décimo aniversário?

NS: Em termos pessoais estou muito contente, sobretudo porque sinto que superámos muito desafios nestes primeiros dez anos. Este mercado é muito dinâmico e competitivo sobretudo em anos em que as marcas controlam muito a eficiência dos seus budgets. Vamos ter hoje um evento no Sabotage Club para o qual foram convidadas quatro mil pessoas da área de marketing e publicidade para celebrar os dez anos dos Sistemas Rafael em Portugal.

MP: Qual a facturação actual da empresa? Qual a previsão para o próximo ano?

NS: Em 2000 facturamos três milhões de euros e fechámos 2005 com sete milhões de euros. Nos últimos cinco anos crescemos muito apesar de economicamente vivermos num mercado conturbado. Em 2006 prevemos um crescimento de 18%.

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