Patrícia Barbosa – directora editorial Grupo V

Por a 16 de Dezembro de 2005

Patrícia Barbosa

Depois da Futebolista, a Top Music e Cinema é o mais recente lançamento da Editorial Grupo V. Patrícia Barbosa, directora editorial do grupo, explicou ao M&P as expectativas para os novos projectos e os planos de consolidação da editora espanhola no mercado português

Quatro anos depois do início da expansão para Portugal, a Editorial Grupo V lançou recentemente dois novos títulos e prevê novos lançamentos para 2006. “A proximidade dos mercados, a possibilidade de funcionar em economia de escala e de partilhar conteúdos editoriais”, foram alguns dos motivos que alavancaram a aposta no nosso mercado, explicou ao M&P Patrícia Barbosa, directora editorial do grupo.

Meios & Publicidade (M&P): O que motivou a aposta da Editorial Grupo V no lançamento de títulos no nosso mercado?

Patrícia Barbosa (PB): Implantada no mercado espanhol há mais de duas décadas, responsável pela publicação de mais de 35 títulos periódicos em Espanha na área da imprensa especializada, muitos dos quais líderes no seu segmento, a vontade de exportar os seus conceitos editoriais é um fenómeno quase inevitável. A proximidade dos mercados, a possibilidade de funcionar em economia de escala e, ainda, em determinadas áreas, a possibilidade de partilhar conteúdos editoriais foram, certamente, factores decisivos.

M&P: Quais as sinergias desenvolvidas actualmente com as congéneres espanholas?

PB: Todas as fórmulas que aplicámos em Portugal já foram testadas em Espanha, com sucesso. Não podemos negar a importância deste facto, especialmente porque nunca adaptamos um produto que já não esteja bem testado e solidamente implantado no mercado vizinho que, embora distinto do nosso em muitas facetas, pertence á mesma península e, inevitavelmente, isso aproxima-nos. Por exemplo, no caso da Cães & Companhia ou da Super Foto Prática, há conteúdos que se adequam perfeitamente a ambas as realidades, pois um boxer terá sempre as mesmas características onde quer que esteja e uma câmara fotográfica também se comportará da mesma forma, se exposta ás mesmas condições. Deste modo, a troca de sinergias surge naturalmente. Com a Futebolista e a Top Music e Cinema tal já não acontece com a mesma facilidade, já que as preferências dos leitores são nitidamente díspares, razão óbvia para assumirmos uma postura diferente, produzindo localmente os conteúdos mais apropriados.

M&P: Este ano apostaram no lançamento de mais dois títulos: a revista Futebolista e mais recentemente a Top Music e Cinema. Que números têm já disponíveis sobre a performance da revista Futebolista em banca? Vão ao encontro das expectativas?

PB: Qualquer produto com as características destes nossos novos títulos dificilmente atinge rapidamente níveis de venda muito elevados sem grandes esforços de promoção. Não fomos ambiciosos, optando por acções de promoção mais contidas. Apostámos, sim, no aumento das vendas impulsionado pela aceitação e reconhecimento progressivo do produto por parte dos leitores. Mesmo assim, os resultados do primeiro número da Futebolista correspondem ás nossas expectativas, aproximando-se das duas dezenas de milhar de exemplares vendidos.

M&P: E quais as expectativas de venda da Top Music e Cinema?

PB: Quanto á Top Music e Cinema aguardamos ainda números oficiais, mas pelo nível de participação do público-alvo acreditamos que se encontra dentro das nossas expectativas. Mas devemos considerar que se enquadra num contexto diferente da Futebolista, pois é um mercado muito preenchido, com muita concorrência. A nossa “missão” torna-se então muito mais exigente, visto que temos de conquistar o nosso mercado a produtos já solidamente implantados. Esperamos, igualmente, uma progressão lenta, mas constante, á semelhança do que aconteceu em Espanha. Estamos certos de que acabaremos por alcançar o reconhecimento e a preferência de muitos milhares de leitores.

M&P: A Top Music e Cinema insere-se num segmento jovem, que no último ano viu alargar a sua oferta em banca com o lançamento de vários títulos. Considera existir mercado para todas as revistas?

PB: Em qualquer mercado, saturado ou não, há sempre espaço para produtos inovadores, diferentes e com qualidade.

M&P: Em que se distingue a Top Music e Cinema da concorrência?

PB: Aquilo que nos distingue da concorrência não deve ser avaliado por nós, mas sim pelos nossos leitores. Todavia, a nossa maior preocupação é e será sempre estar em sintonia com eles e oferecer-lhes o melhor produto, aquele que corresponda directamente ás suas necessidades.

M&P: Quais os títulos do Grupo V em Portugal que implicam um maior investimento por parte da editora?

PB: Todos os nossos produtos merecem a nossa maior atenção e acompanhamento mas, obviamente, os mais recentes necessitam de uma “dose extra” de carinho.

M&P: Que outros títulos do grupo estão perspectivados para chegar ao mercado português?

PB: Desde que o GrupoV decidiu progredir em Portugal, estamos sempre a realizar estudos para aferir a viabilidade de adaptação de novos títulos no nosso país. Existem, neste momento, mercados e sectores já diagnosticados por nós como mais apetecíveis que outros, mas como quaisquer novos projectos exigem uma grande discrição…

M&P: Podemos então esperar novos lançamentos no próximo ano?

PB: Apesar da consciência de que em Portugal vivemos momentos menos bonançosos, faz parte dos nossos planos lançar novos produtos em 2006.

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