Joseph Kita — Vice-presidente da Rodale International

Por a 16 de Dezembro de 2005

A passagem de Joseph Kita por Portugal serviu de pretexto a uma curta entrevista ao M&P, onde o responsável do grupo Rodale fez um balanço á presença da Men's Health no mercado português e projectou os possíveis título a importar no futuro próximo

Satisfeito com o comportamento da edição portuguesa da Men's Health, Joseph Kita acredita que o âmbito «mais maduro» deste título faz com que o mesmo seja «mais atraente» para o público masculino do que as concorrentes FHM e Maxmen. Feito um balanço positivo á experiência de importação deste título para o nosso mercado através da parceria criada para o efeito com a Motorpress Lisboa, o acordo entre as duas partes poderá possibilitar, a médio prazo, a entrada no nosso mercado de mais três títulos do grupo Rodale: Runner's World, Best Life e Women's Health.

M&P: Está satisfeito com a performance da Men's Health no mercado português? JK: Estamos muito satisfeitos. A Men's Health portuguesa está num processo de crescimento sustentado e sentimos que está a tornar-se cada vez mais numa influência para as vidas dos homens portugueses.

M&P: Sendo que a concorrência no segmento de revistas masculinas no mercado português aumentou este ano com a chegada da versão portuguesa da FHM, como é que a Men's Health pode melhorar a sua posição neste mercado? JK: Apresentando-se ao mercado não apenas como uma revista de 'sexo e abdominais', mas sim como uma publicação de lifestyle masculino. O director da revista em Portugal, Paulo Costa, está já a trabalhar nessa transição, mas sabemos que pode ainda demorar algum tempo até que esta mudança seja percebida e assimilada pelo mercado. Mas a verdade é que a Men's Health representa todo um novo estilo de vida para os homens. Estar em forma e com saúde são novas formas de riqueza.

M&P: Na sua opinião quais são as grandes diferenças entre a Men's Health e as restantes publicações do segmento masculino? JK: A Men's Health é a revista mais relevante para a vida dos homens, porque pode, de facto, ajudar a mudar as suas vidas. Nenhuma outra revista masculina pode, verdadeiramente, invocar essa virtude.

M&P: Considera, portanto, que o foco editorial da Men's Health é mais atraente para o leitor do que o apresentado por títulos como a Maxmen ou a FHM? JK: Tanto a FHM como a Maxmen são revistas de entretenimento. Não tenhamos dúvidas sobre isso. Mas esse foco faz com que atraiam uma audiência muito jovem, quase adolescente, e que, eventualmente, acaba por crescer e exceder o âmbito dessas revistas. A partir de uma determinada altura, é natural que eles se 'transfiram' para a leitura da Men's Health. Podemos põr as coisas desta forma: se quiser ver raparigas bonitas, então compre essas 'lad magazines'. Mas quando chega a altura de começar a sair com raparigas bonitas, então compre a Men's Health e leia os nossos artigos sobre sexo e relacionamentos. A Men's Health é, digamos, uma revista mais madura. Não no sentido aborrecido do termo, mas sim no sentido de ser uma publicação útil para gente madura.

M&P: Como se processa a gestão global da marca Men's Health de forma a que o conceito da revista não se descaracterize nos vários países em que está presente? JK: Ao nível da produção das capas, por exemplo, é a Rodale International quem as aprova para todas as edições internacionais que tem espalhadas pelo mundo, tanto para a Men's Health como para outros títulos. A capa é o embrulho ou o selo dos nossos produtos, portanto é natural que queiramos ter uma imagem consistente onde quer que eles sejam vendidos. Nesse sentido, também revemos o alinhamento de cada revista, de forma a assegurarmos que cada edição individual cobre de forma adequada os nossos valores essenciais de saúde, fitness, nutrição, sexo e estilo. Para além disso, desempenhamos um papel de consultores dos nossos parceiros internacionais em projectos especiais, partilhando igualmente com eles as melhores práticas de outras edições internacionais de revistas Rodale.

M&P: E porque decidiram permitir que a Men's Health portuguesa começasse a produzir as suas próprias capas? JK: Porque queremos que a revista crie uma maior aproximação com os homens portugueses. E isso torna-se mais complicado de alcançar quando temos modelos norte-americanos nas capas.

M&P: Ao nível dos conteúdos editoriais, como se processa a partilha de artigos entre as várias edições internacionais da Men's Health? JK: A Rodale International trabalha de forma a estabelecer contratos que nos dão todos os direitos sobre a maioria dos escritores e artistas que contribuem com a edição norte-americana da Men's Health. E a maioria das edições internacionais da Men's Health têm uma forte componente de reprodução dos conteúdos da edição original. Simultaneamente, encorajamos os responsáveis pelas várias edições internacionais a negociarem contratos similares, para benefício de todos. Neste processo, a Rodale International actua, basicamente, como a casa mãe para a definição editorial e artística, assegurando que cada edição tenha tudo o de que necessita para produzir a melhor revista possível.

M&P: Que projectos da Rodale International podem vir a conhecer novas versões internacionais a curto/médio prazo? JK: Actualmente já temos 34 edições internacionais da Men's Health e o objectivo é aumentar esse número. 2006 vai marcar a entrada da revista em mercados como a Coreia, a Índia, o Brasil, a Tailândia e a Turquia. Estamos também a lançar novas edições internacionais das revistas Prevention Magazine e Runner's World. E, entretanto, estão também em fase de desenvolvimento no mercado norte-americano dois novos títulos: a Best Life e a Women's Health.

M&P: Qual é o âmbito desses dois títulos? JK: A Best Life pode ser descrita como sendo uma Men's Health para um público ligeiramente mais velho. A Women's Health, por seu lado, é um produto destinado a todas as leitoras que nos últimos anos andaram a ler a Men's Health e que se questionavam sobre para quando estaria prevista a edição de uma revista daquele tipo direccionada para elas.

M&P: E em que fase está o desenvolvimento dessa revista? JK: Em 2006 vamos ter dez edições da Women's Health no mercado norte-americano, sendo esse o ano do lançamento 'oficial' da revista. Até agora, todos os sinais que nos foram dados pelo mercado foram positivos, portanto vamos acompanhar atentamente a sua evolução nos Estados Unidos e estudar posteriormente qual a melhor altura para exportar este conceito.

M&P: Para o mercado português, por exemplo? JK: Talvez uma edição portuguesa da Runner's World seja o melhor título para explorar de seguida no vosso mercado. A seguir a esse, então talvez possamos pensar em edições portuguesas da Best Life e da Women's Health.

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