Conhece os obesos portugueses?

Por a 4 de Novembro de 2005

Mais de metade dos lares portugueses têm peso a mais, o que influencia as compras domésticas e os locais onde são feitas. Além disso, os obesos não são todos iguais: há os preocupados e os não-preocupados

O estudo da TNS Portugal 'As 1001 caras do consumidor português', apresentado recentemente, revela alguns dados que nem sempre serão levados em conta pelos marketeers. Segundo a TNS, 28% da população mundial está acima do peso recomendado e a quantidade de obesos cresceu 50% nos últimos dez anos, passando de 200 milhões, em 1995, para 300 milhões em 2004. No que se refere á Europa, em menos de dez anos duplicou a percentagem de obesos. Em 1997 os obesos representavam 14,5% da população e, em 2004, o valor subiu para os 30,9%. A obesidade pode mesmo ser considerada uma epidemia global com nome próprio: «globesidade».

51% têm excesso de peso

Em Portugal a realidade não é mais animadora. De tal maneira que se poderá começar a questionar se não faria mais sentido, passar o rectângulo que representa o país para uma esfera. É que 51% dos lares portugueses tem excesso de peso. Do total da população, 1% é magra, 48% tem o peso ideal, 36% tem excesso de peso e 15% é obesa. Os maiores índices de excesso de peso e obesidade encontram-se nos estratos mais baixos e idosos. Na classe alta há 40% de pessoas com excesso de peso e obesos (31% com excesso de peso e 9% obesos), na classe média-alta essas pessoas são já 48% (os obesos são 11%), na classe média-baixa o valor sobe para os 54% (17% de obesos) e na baixa chega aos 63% (21% de obesos). No que toca a idades, até aos 34 anos há 34% de pessoas com excesso de peso e obesos (25% com excesso de peso e 9% obesos), entre os 35 e os 49 anos o valor sobe para os 57% (14% de obesos) e nos que têm mais de 50 anos os que têm excesso de peso e são obesos representam também 57% (no entanto os que são obesos representam uma franja de 18%). Mas, há sempre um 'mas', apesar de ser assustadora a quantidade de pessoas com excesso de peso e obesidade, as marcas podem animar-se. É que o gasto médio dos obesos é superior ao dos lares comuns: mais 7% em alimentação, mais 9% em limpeza caseira, mas 2% inferior em higiene pessoal. A carne preparada congelada, as colas, as sopas, os adoçantes e as sobremesas em pó são os produtos mais importantes para os lares 'obesos'. Mas há mais: os solúveis, os leites aromatizados, o azeite, o bacalhau e os vegetais e verduras congelados também ocupam lugares de destaque.

Obesos preocupados e os não-preocupados

Depois há também diferenças entre os lares de obesos que estão preocupados com a sua saúde e os que não têm essa preocupação. Os que estão preocupados gastam mais 14% do que os lares normais e compram sobremesas em pó, sopas, solúveis, margarina de mesa, azeite, bacalhau, água mineral sem gás, açúcar, adoçante e água mineral com gás. Já os que não estão preocupados com a saúde, gastam em média mais 17% que os lares normais e compram colas, adoçantes, pizzas, pratos prontos, snacks, sobremesas lácteas, leite aromatizado, peixe e marisco preparado, batatas e manteiga. Os obesos fazem 44,7% das suas compras nos supermercados (contra 42,3% da população em geral), 24,2% nos hipermercados (a média da população é 25,3%), 23% nas cadeias discount (a média da população é 21,8%) e 8,1% no comércio tradicional (10,6% da média da população) Na opinião dos responsáveis pelo TNS Obesity, este estudo permite conhecer e integrar o tema da obesidade nas estratégias de marketing. Com o estudo é possível aferir as 'dependências' das categorias, marcas e cadeias, conhecer o comportamento de compras dos obesos, integrar elementos formais na estratégia de inovação para estes grupos, estabelecer relações públicas positivas e identificar temas de saúde associados.

Marketing para os obesos

Forças

– Níveis de consumo elevado

– Os que são preocupados com a alimentação, procuram equilibrar os alimentos

– Forte compra de produtos de limpeza caseira

Debilidades

– Peso importante do discount

– Dividem-se em dois alvos: os preocupados e os não-preocupados

Oportunidades

– Os não-preocupados consomem poucas verduras mas muitos pratos pré-cozinhados, snacks, pizzas, sobremesas em pó, peixe ou marisco preparado

– Sensibilizar os não-preocupados

– Baixo consumo de produtos de higiene pessoal

Ameaças

– Problemas legais (medidas governamentais)

– Dois em cada três não se dizem preocupados pela sua saúde

– Alvo crescente e internacional

Deixe aqui o seu comentário