Distribuidoras: mudanças para breve

Por a 27 de Julho de 2001

É inevitável. Das quatro distribuidoras de publicações que existem em Portugal — Deltapress, Electroliber, Midesa e Vasp —, a curto, médio prazo só irão restar duas. Neste momento todas estão a perder dinheiro. Não têm uma política minimamente concertada entre elas, entram em guerras de preços aceitando as imposições dos editores e dos supermercados, não têm dimensão suficiente para provocar mais economias de escala. Porque o negócio de distribuição de publicações é um negócio de volume e porque as distribuidoras não podem continuar de ano para ano a ter prejuízo, acrescentando ao facto de duas delas terem um sócio comum, a Cofina, leva á inevitabilidade de, a curto prazo, se assistir a uma fusão entre a Vasp (50% Impresa, 50% Cofina) e a Deltapress (75% Lusomundo/PT, 25% Cofina).

Essa fusão terá implicações nas outras distribuidoras. A Electroliber, que está a atravessar um período de perturbações financeiras, com alguns títulos a comecarem a “fugir” para outras distribuidoras, terá algumas dificuldades em sobreviver. Tudo vai depender do comportamento da Impala e, em menor escala, da Motorpress. A fusão entre a Vasp e a Delta poderá também levar alguns títulos que não pertencem ao universo dos seus sócios, Impresa, Lusomundo e Cofina e que são actualmente distribuídos por estas duas distribuidoras, a mudarem-se de armas e bagagens para a Midesa, na procura de uma distribuição “independente”. Assim, o cenário provável antes do fim do corrente ano é a existência de duas distribuidoras fortes no mercado — Vasp/Delta e Midesa — e uma, a Electroliber, em luta pela sobrevivência.

Quem ganha com esta concentração?

Os editores não serão certamente. De momento são eles que impõem as regras, exigindo comissões irrisórias, e aos poucos deixarão de o poder fazer, a não ser que as casas-mãe não deixem o mercado funcionar e imponham elas os preços. Também os pontos de venda e os supermercados deixarão de poder impor as suas exigências. Portanto, serão apenas as próprias distribuidoras a ganhar com a concentração. Sendo tão óbvia a necessidade de concentração para as distribuidoras, espanta-me o tempo que estão a levar a concretizá-la.

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