Beber sem abusar é o segredo

Por a 13 de Julho de 2001

A APAN lançou um Código de Autodisciplina para o sector. O slogan não deixa de ser apelativo: «Seja responsável. Beba com moderação»

A iniciativa á qual se associaram instituições de profissionais ligadas ao sector e representantes de órgãos de Comunicação Social, como por exemplo a Rádio Renascença, tem como principal objectivo desfazer a ideia de que Portugal é um país de alcoólicos. Aliás, a APAN, através de um comunicado lido e assinado pelo seu presidente, Francisco Xavier do Amaral, mostrou dados que fazem abalar uma série de ideias feitas no nosso país, apesar de concordar com o problema sério que é o alcoolismo.

Segundo a World Alcohol Consumption, no que toca á cerveja, Portugal é, per capita e a nível mundial, o 19º consumidor. Nas bebidas espirituosas, o nosso país ocupa a 41ª posição, bem longe da Rússia que é a líder destacada.

Mais significativos que as referidas tabelas são os dados fornecidos pela Brigada de Trânsito da GNR. Das causas dos acidentes de viação registados em 1999 e 2000, somente 2% foram atribuíveis ao álcool.

O secretário Estado da Defesa do Consumidor, Acácio Barreiros, realçou que a APAN e respectivos associados «estão de parabéns» pelo código de autodisciplina que, segundo Barata Simões, secretário-geral da APAN, demorou dois anos a ser elaborado.

Mas o que é afinal este código? Um dos pontos reside no cuidado com grupos vulneráveis como grávidas, menores, idosos e deficientes. A publicidade não deve ser dirigida especialmente a nenhum destes últimos. Porém, a situação mais mediática reside no slogan que já se encontra em exibição: «Seja responsável. Beba com moderação.»

Cinemas, teatros, rádio e televisão, antes, durante ou após programas para menores não devem passar mensagens publicitárias a bebidas alcoólicas.

Um dos cavalos de batalha da APAN prende-se com o horário proibitivo na rádio e TV que vai das 7 ás 21.30 horas. Os anunciantes não querem ver este espaço aumentado, apesar de Acácio Barreiros ter reveado que um dos pontos que está a ser discutido na nova legislação tem a ver com o «agravamento desse horário». Barata Simões, por seu turno, quer que o Governo explique a questão de patrocínios á selecção nacional de futebol e lança uma pergunta: «Como é possível que a Carlsberg possa patrocinar o Euro 2004 e a Sagres tenha que retirar o seu apoio á selecção?».

Verdade, verdade é que o código de autodisciplina transmitiu uma ideia de união entre APAN e Governo. Os próximos tempos poderão revelar mais dados até porque «a nova legislação» ficará pronta até ao final de Julho, garantiu Acácio Barreiros.

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