Nova imagem, procura-se

Por a 23 de Abril de 2001

A falta de credibilidade que o Governo atingiu nestes últimos dois meses é o espelho do apatia e do desinteresse que as pessoas nutrem cada vez mais pela política e pelos políticos. É a consequência directa do adiar medidas urgentes e remediar, já fora de prazo, as que aparecem para resolver.

Tanto o Governo como a oposição estão a precisar de mudar a sua imagem. E isso é muito mais fácil fazer do que parece. Com tantos profissionais que trabalham a comunicação e a imagem de grandes empresas — e já agora, porque se fala tanto em marketing político —, por que não usar os meios disponíveis para fazer subir a popularidade dos políticos? A primeira medida cabe inquestionavelmente ás agências de comunicação — gestão de crise. Neste caso, deve ser uma agência com bastante experiência, porque a fase aguda já deixou de o ser para passar agora pela completa indiferença dos eleitores. A resolução desta fase — que demorará talvez uns seis meses — passa por suspender informações contraditórias, arranjar um porta-voz para falar por todos, definir a estratégia de divulgação das medidas e dos projectos-lei no momento certo, etc, etc, etc..

A segunda fase passa pela criatividade: convencer as pessoas que ainda vão votar que vale a pena não desistir. Agências de publicidade há muitas e criativos premiados não nos faltam. E para quem tem preconceitos, há ainda as agências de publicidade brasileiras.

O marketing pode então completar a terceira fase. Marketing directo produz resultados e pode mesmo chegar-se á conclusão de que os brindes funcionam melhor do que as promessas. Um coisa do género “Nesta legislatura compre um ministro pelo preço de dois”.

É preciso que Portugal se una em prol da imagem do Estado, que se empenhe em melhorar a imagem do Governo. Comunicadores, juntem-se nesta missão! Não esperem pelo concurso público e façam new business com esta oportunidade. É que isto dá para todos e ainda faz aumentar o investimento publicitário, porque não é só o Governo que precisa de uma nova imagem — a oposição também perde muito se não optar por uma mudança radical.

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