José Duarte: a rádio não terá lugar no futuro

Por a 7 de Dezembro de 2000

Há 34 anos no ar com o “Cinco Minutos de Jazz”, José Duarte vaticina a morte da rádio com o evoluir das novas tecnologias de informação

A rádio, enquanto meio isolado, não terá lugar no futuro. Esta é a opinião de José Duarte, responsável pelo programa diário com maior longevidade na rádio portuguesa, o “Cinco Minutos de Jazz”, no ar há 34 anos.

«No futuro toda a gente irá ter computador e terá tudo ao seu acesso. Se, por exemplo, estiver interessado em jazz, não só ouve como vê, para além de ter de imediato á sua disposição todos os elementos sobre o músico favorito. A rádio, como é hoje feita, vai acabar», defende o radialista.

José Duarte lembra o tempo em que tirava o LP da sua estante, levava-o para a rádio e tornava a colocá-lo no seu local quando regressava a casa. «Foram tempos pré-históricos. Hoje, a rádio está a subir de audiências em alguns países, mas é graças á internet. As pessoas navegam e ouvem rádio ao mesmo tempo, baixinho, como um meio complementar».

A convite do realizador João Martins, José Duarte iniciou o “Cinco Minutos de Jazz” a 21 de Fevereiro de 1966, na Rádio Renascença. Desde então, esta «rubrica», como gosta de lhe chamar, passou pela Rádio Comercial — entre 1984 e 1993 — e está agora na Antena 1.

Lançado numa época em que em Portugal a rádio era mais importante do que a televisão, o projecto consistia em fazer «um programa que fosse muito rápido mas bom». José Duarte ainda tentou convencer João Martins a alongar o espaço «para 15 ou, pelo menos, 10 minutos». Mas sem sucesso. «Hoje, passados todos estes anos, percebo que ele tinha razão. E a prova é que começaram a surgir outros espaços com este formato».

Todos os dias, de segunda a sexta-feira, o “Cinco Minutos de Jazz” está no ar depois do noticiário da meia-noite e é repetido no dia seguinte pouco antes das 21 horas. Uma rotina com décadas que nunca o cansou. «Gosto de jazz e isso é o importante. Só continuo a achar a rádio um pouco frustrante porque nunca sei quem me está a ouvir».

O futuro negro que traça para a rádio não complica José Duarte. Considera ser o resultado natural da evolução tecnológica e mostra-se atento ao fenómeno. Faz agora três anos que lançou o site www.jazzportugal.net, com planificação e textos da sua autoria e com links a clubes de jazz em todo o mundo. «Temos recebido muitas visitas, especialmente do estrangeiro», adianta.

Aos microfones desde 1959

José Duarte estreou-se aos microfones de uma rádio nacional em 1959, com o programa “Encontro com o Jazz”, na Rádio Renascença. Desde então, participou em mais de 20 programas emitidos por diferentes rádios, como autor ou apresentador, alguns deles célebres. “Só Jazz”, na Rádio Renascença (1971-1972), “Pão com Manteiga”, na Rádio Comercial (1980-1983) e “A Menina Dança”, na Rádio Comercial (1989-1993) e Antena 1 (1993-1997) são disso exemplos. O “Cinco Minutos de Jazz” é a sua corrida de fundo. Admite que a existência do programa tem vindo a ser importante para a divulgação do jazz, «sobretudo pela persistência». E que «é para continuar».

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