«Uma classe muito desunida»

Por a 24 de Novembro de 2000

José Carlos Campos – Presidente do Clube dos Criativos

O anuário do Clube dos Criativos acaba de ser apresentado este ano, um pouco mais tarde do que o habitual. José Carlos Campos, presidente do Clube, explica as razões do atraso e fala sobre os próximos projectos do clube.

Qual a razão do atraso no lançamento do anuário? Já devia ter saído em Outubro, mas como depende um pouco da boa vontade e do tempo que temos disponível… o anuário é talvez o património mais importante do Clube, porque é o que vai perpetuar a publicidade portuguesa e os vencedores do festival.

Foi um festival justo? Há sempre injustiças, porque é um assunto bastante subjectivo. O júri foi chefiado por uma pessoa extremamente competente, o Pedro Bidarra, pelo que os prémios foram justos. Foi também um festival mais exigente e isso é importante. Mas injustiças existirão sempre, porque há sempre trabalhos que merecem ser premiados.

Dentro dessa perspectiva, nenhum festival é totalmente justo? Não são justos por diversos motivos. Os internacionais, por exemplo, distinguem muito mais os trabalhos anglo-saxónicos, porque é uma linha internacional que toda a gente entende. Por outro lado, o número de inscrições é tão elevado que o júri não tem tempo para avaliar as peças e, obviamente, que as que têm uma forte componente de copy saem prejudicadas.

Mas os prémios continuam a ser importantes…Depende das agências e dos criativos. Acredito que para um criativo em início de carreira, todos os prémios sejam importantes. Na minha fase profissional, já não os valorizo tanto. Obviamente que há prémios a que dou importância, mas noutros nem sequer me inscrevo.

Os festivais nacionais assumem grande importância? Deve ser muito gratificante para um cliente ganhar um prémio no Festival de Cannes ou no Eurobest, mas também é importante ganhar um prémio no Festival da Figueira da Foz, no Clube dos Criativos ou no Diário de Notícias. Os festivais têm de se profissionalizar.

Quais os próximos projectos do clube? Pretendemos, a médio prazo, elaborar um ranking de festivais, de forma a ajudar as pessoas a definir quais os realmente importantes. O ranking dará ainda a lista das melhores agências do mercado e a agência do ano em termos de participação em festivais. Queremos um festival diferente onde, além das peças a concurso, possamos analisar o que de melhor aconteceu no mundo. Pretendemos ainda que decorra sempre na mesma data, última quinzena de Janeiro ou na primeira de Fevereiro, e em conjunto com o Congresso da APAP.

Acha que o Clube é representativo dos criativos portugueses? Não, porque é uma classe muito desunida. É muito fácil estar de fora e criticar, mas ninguém tem vontade de participar ou intervir. Nem mesmo as pessoas novas no mercado. Uma coisa é certa: eu e o Pedro Ferreira não vamos recandidatar-nos em 2001. Vamos chegar ao fim do mandato com a consciência tranquila de que fizemos o nosso melhor.

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