Orçamento reduzido na corrida aos votos

Por a 30 de Novembro de 2000

As eleições presidenciais estão á porta e os candidatos têm um mês para comunicar os seus trunfos ao país, mesmo com orçamentos reduzidos

Com o objectivo de obter maior transparência sobre o modo como são recebidos os financiamentos para os gastos das campanhas eleitorais, a Assembleia da República estabeleceu um montante máximo legal. Assim, o valor permitido para as campanhas das próximas presidenciais é de cerca de 280 mil contos, um corte face a anteriores eleições.

As candidaturas de Jorge Sampaio e de Ferreira do Amaral preparam-se para cumprir o valor estipulado por lei, embora considerem que se trata de um número limitativo. ã uma redução drástica relativamente aos gastos com eleições anteriores, o que obriga a grandes cortes em diversas áreas», assegura João Gabriel, responsável pelo gabinete de informação da candidatura de Jorge Sampaio.

O financiamento para as campanhas provém, na sua maioria, dos partidos políticos que apoiam os candidatos, das doações e contributos dos apoiantes desses partidos, de leilões de arte e outras acções desenvolvidas para o efeito, o que muitas vezes suscita dúvidas sobre a proveniência do dinheiro utilizado. De acordo com o responsável da candidatura de Jorge Sampaio, «vamos dar um sentido efectivo e pedagógico ás alterações introduzidas, contribuindo assim para reforçar a credibilidade da vida política nacional».

António Abreu e Fernando Rosas têm orçamentos bastante mais reduzidos para a promoção das suas candidaturas, pelo que não se coloca a nenhum dos dois a questão dos limites legais. De qualquer forma, ainda não são conhecidos os valores a investir. No caso da candidatura de Fernando Rosas é difícil de apurar, pois estão agendados alguns leilões e as contribuições dos “bloquistas” ainda poderão ser significativas. «Vamos ficar muito aquém dos limites exigidos por lei. O nosso orçamento deve rondar as poucas dezenas de milhar de contos», adianta um dos elementos da comissão de candidatura de Fernando Rosas. No caso de António Abreu, o valor será conhecido aquando da apresentação das contas depois das eleições.

A campanha eleitoral tem início marcado para amanhã e termina na antevéspera das eleições, a 12 de Janeiro.

Apesar das restrições orçamentais, os candidatos estão prontos para se apresentarem nos colóquios, debates, sessões de esclarecimento, comícios… São diversas as acções programadas e cada um tem a sua própria agenda eleitoral e estratégias delineadas. Além dos meios tradicionais como os cartazes de rua, outdoors, oferta de brindes ou comitivas que percorrem o país, este ano os candidatos arrojaram na utilização das novas tecnologias. Alguns com informação disponível em breve, outros já em pleno funcionamento, os sites das campanhas prometem ser mais um importante veículo de comunicação.

Jorge Sampaio:

«Por todos nós»

Jorge Sampaio apresenta uma campanha eleitoral «sóbria, evitando o recurso a elementos vazios de significado político», dando continuidade a uma carreira política de 40 anos daquele que é o actual Presidente da República.

Segundo João Gabriel, responsável pela comunicação da candidatura de Jorge Sampaio, «a prioridade é dirigida ao esclarecimento do eleitorado e ao debate político». Segundo refere, pretende-se que a campanha constitua um período de debate, responsabilização e mobilização dos portugueses.

«Por todos nós» é o slogan que figura nos cartazes desenvolvidos para a actual campanha, substituindo a frase «Um por todos», utilizada na campanha que elegeu Sampaio. Duas faces de um mesmo conceito que continua a apelar para a figura unificadora do Presidente da República e para a aproximação dos cidadãos da vida política.

O verde e vermelho continuam a marcar presença em todos os suportes de comunicação, com destaque para o site sampaio.pt que aposta, igualmente, numa imagem moderna e dinâmica.

O “BIG Brother” de Ferreira do Amaral

Ferreira do Amaral conta com a colaboração de Hiram Pessoa de Melo, consultor brasileiro e presidente da Mercopam, uma entidade com sede em Miami, responsável pela imagem de 200 campanhas eleitorais em países como o México, Venezuela, Argentina e Brasil. Com a sua equipa de oito elementos, das diversas área do marketing político, Hiram Pessoa Melo está a apostar forte na “sua” primeira campanha eleitoral portuguesa.

Segundo explica Norton Lima Júnior, copywriter desta equipa, «um dos desafios é transmitir que o Presidente não é uma representação mas uma figura com influência na vida activa, e que Portugal tem hipótese de crescer e reforçar o orgulho». Assim nasceu o primeiro slogan da campanha «Portugal Grande e Solidário».

O segundo slogan — «Ferreira do Amaral, o candidato dos não socialistas» — marca o posicionamento da candidatura, e só no terceiro cartaz surge a fotografia de Ferreira do Amaral. «Este cartaz sublinha os traços fortes do candidato. São 25 anos de história política em Portugal, com obra feita…», adianta Norton Lima Júnior.

Nos tempos de antena, a estratégia da campanha passa por mostrar o candidato em casa, com a família. «O Presidente próximo de si» é o slogan que acompanha o desenvolvimento da estratégia de marketing. «Como nós costumamos chamar, é o “Big Brother” de Ferreira do Amaral», conclui Norton Lima Júnior.

“É preciso algo mais…” para Fernando Rosas

O Bloco de Esquerda acredita que a eleição presidencial é «o melhor dos palcos» para se debater a vida política do país. Este terá sido o motivo que levou Fernando Rosas a «não virar a cara aos combates políticos em que se joga e constrói o futuro».

O slogan ã preciso algo mais…» transmite a principal mensagem dos “bloquistas”, que afirmam não se reconhecerem na actual lógica de governação. Esta linha marca um posicionamento diferenciador, patente nos cartazes a preto e branco e na fotografia escolhida para os ilustrar, a remeter para a profundidade da reflexão.

António Abreu aponta «razões de esquerda para Portugal»

António Abreu apela aos valores tradicionais, com uma imagem simples mas moderna. Com o slogan «razões de esquerda para Portugal» pretende-se transmitir a ideia de que, «á esquerda, é possível outro desempenho por parte do Presidente da República».

A campanha será assegurada pelo departamento de propaganda do PCP e apoiada por diversos membros da direcção do partido. Além dos tradicionais cartazes e folhetos, a aposta vai para os debates, as sessões de esclarecimento e o contacto directo com os cidadãos.

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